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Os novos cartazes da IL são banais e sem a criatividade e irreverência que marcaram o partido no passado. O jogo de futebol do PSD é uma estratégia de comunicação para evitar polémicas por resolver?

Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

E o Vencedorete na Rádio Observador e em vídeo no YouTube, também nas redes sociais do Observador, hoje com a Helena Garrido, o André Azevedo Alves e o Miguel Santos Carrapatoso. Hoje vamos conversar sobre os novos cartazes da Iniciativa Liberal, mas primeiro, como o Benfica joga mais logo frente ao Hearts, na Escócia, vamos falar de futebol. Temos um primeiro-ministro que veste a camisola, neste caso, camisola para uma peladinha antes da Festa do Pontal, no Algarve. Luís Neves, que promete mão de ferro nesses dias para os infratores nas estradas, ficou fora dos convocados. André Azevedo Alves, há alguma leitura que possamos fazer da escolha do Mister Montenegro para alinhar nesta partida, uma vez que Luís Neves nem para o banco foi convocado?

Olá, boa tarde. Aparentemente, a treinadora era a ministra Graça Carvalho. Mas ninguém acredita que os convocados não tivessem saído da cabeça de Luís Montenegro e, eventualmente, do Hugo Soares. Acho que não devemos valorizar demasiado este tipo de evento, mas pareceu-me que Luís Montenegro e a sua equipa de comunicação estão a tentar passar uma imagem de descontração e a minimizar os problemas, um pouquinho aquela ideia, mais uma vez, do incha desincha e aqui procurar contribuir para o desinchar. É um jogo de futebol informal, etc. Eu diria que Luís Neves, mais do que não ter sido convocado, para manter na linguagem futebolística, já devia ter sido substituído. E acho que a não presença acaba por ter também uma leitura, mas eu acho que a leitura até mais significativa é o próprio tom do Luís Montenegro. A tal procura de minimizar ou passar ao lado da ideia de que há problemas sérios e nomeadamente de que o caso Luís Neves permanece por resolver, e procurar aproveitar a época e o maior relaxamento para ter também algum alívio do ponto de vista comunicacional. Sendo que, e com isto termino, Montenegro teve o cuidado de esclarecer que não era um momento de férias, mas antes um momento que permitia conciliar, e passo a citar, "algum descanso com atividades governativas e partidárias".

É team building, tem todo o direito, acho que é até bastante saudável. O que era desnecessário era a tal promessa de que nem sequer ia ter férias e agora estamos nesta distinção semântica entre a partir de que momento é que o descanso passa a férias, se implica sair do território, não sair do território. Tudo isto teria sido evitado se Montenegro não tivesse optado pela tal estratégia comunicacional, que me parece bastante demagógica, de dizer que não ia ter férias. Nada contra o jogo de futebol, mas a estratégia comunicacional parece-me problemática e parece-me um pouco também tentar empurrar pra frente com a barriga e evitar reconhecer o elefante na sala e o problema que está por resolver, que é o problema do Luís Neves.

Helena Garrido, achas que à equipa governativa faltou alguma ambição e clarividência no último terço do terreno?

Em qualquer jogo que tu estejas a ver, se tu disseres esta frase: "Faltou ambição e clarividência no último terço do terreno."

Aplica-se mesmo quando o Benfica ganha seis um. Aí por acaso se calhar não dá.

Eu considero esta iniciativa lamentável por muitas e variadas razões. O primeiro-ministro, nas declarações que foi fazendo com os calções de jogador, disse que estamos perante um partido muito popular, o mais português de Portugal, e eu diria que agora é também o partido dos homens que jogam futebol, porque a pergunta é: onde é que estavam as mulheres? Havia a ministra do Ambiente a fazer de treinadora e eu não sei se para a próxima não querem fazer uma iniciativa.

Acho que não a filmaram de frente e não fez declarações. Que eu tivesse visto, não fez declarações.

Deixa-me só dizer, Helena, não queria interromper, mas para também ajudar a tua reflexão, é que o PS, entretanto, já publicou um vídeo onde há várias deputadas, aparentemente, eu não vi o jogo.

Que participaram do jogo, pelo menos dão testemunho equipadas a rigor. Eu não sei se jogaram ou não.

Mas estavam presentes, pelo menos estavam vestidas a rigor.

Esperemos que estavam presentes e não era a fazer tricô, nem renda, nem com o lanche para os jogadores. Esperemos. Eu confesso que acho esta iniciativa lamentável. Os líderes de um país devem elevar a população para cima, não a puxar para baixo. Só falta mesmo o fado, porque até era interessante ver a sequência das reportagens nas televisões. Tínhamos Fátima e a seguir o primeiro-ministro a jogar futebol com o Hugo Soares e uma série de homens de meia-idade a darem toques na bola. Eu não sei o que o PSD quer. Um partido que ainda por cima é uma referência.

...advogado do diabo. Então e se fosse o Obama? Não era um tipo engraçadíssimo que estava a jogar ténis ou futebol?

Mas eu não acho que o primeiro-ministro não deva jogar futebol. Não me parece é que possa enquadrar um jogo numa iniciativa político-partidária e num partido importante como é o PSD, e um partido de poder como é o PSD, e num partido que é uma referência na conquista dos direitos das mulheres, nomeadamente através da sua vice-presidente, a doutora Lia Nobre Lima, que é o único grande partido que já teve uma mulher como líder. Até podem achar que isto é um bocadinho woke, mas nós não podemos passar do woke para o polo oposto. E aquelas reportagens e imagens são lamentáveis. São pura e simplesmente lamentáveis. Os símbolos são muito importantes em tudo, e são importantes também na política. Os políticos enviam mensagens para as pessoas, e nesta época em que nós vivemos, com riscos de sobrerreação ao woke, aos excessos que se fizeram a este nível da igualdade, diversidade e equidade. Um governo não se preocupar com isso, é que isto não é só um exemplo. Há muito pouco tempo, o governo, através de um Conselho para a Ação Climática, como não conseguia garantir a paridade, em vez de seguir a recomendação do presidente da Assembleia da República, resolveu enviar para o Parlamento uma alteração legislativa em que a paridade passava a ser facultativa. Isto não se pode resolver assim. Eu sei que o Hugo Soares, para defender o primeiro-ministro, disse que eles eram muito populaches, eram muito do povo quando foi ver o jogo, sem isso tudo.

Exatamente. Então, a questão aqui não é de ser queque ou não, é termos lideranças que elevam a sociedade ou não elevam a sociedade.

E Miguel Santos Rebelo Toso, um especialista com obra publicada sobre a tática do losango, não tais. Ainda.

Eu confesso que antes de entrar no estúdio não estava à espera de discordar tanto dos meus colegas de painel sobre um tema como a questão do futebol. Antes de mais, Helena, estava agora a rever o vídeo e só para alertar, não estive lá, não vi o jogo, não sei qual foi o nível de participação das deputadas sociais-democratas, mas o facto de elas surgirem nas imagens equipadas, só para ter algum cuidado nessa questão do apartheid de género que supostamente foi decretado neste jogo de futebol. Não me parece que tenha sido o caso, embora não estive lá