Dados divulgados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública nesta semana levam o debate sobre violência no futebol também para o ambiente doméstico. Os registros de violência contra mulheres aumentam em dias de jogos: em relação a datas sem partidas, as agressões sobem 28,8%, e as ameaças, 27,4%, como mostrou O TEMPO na edição de ontem (12/8). Mais de um terço dos casos de lesão corporal ocorreu dentro das residências das vítimas. 

A análise aponta ainda que o problema tem se intensificado em relação ao levantamento anterior, feito com dados de 2015 a 2018, quando em dias de jogos os registros de agressão aumentavam 20,8%, e os de ameaça, 23,7%. As estatísticas abrangem ocorrências em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador e Porto Alegre, em datas de partidas com todos os clubes do Brasileirão, da Copa Libertadores da América e da Sul-Americana.

Na interpretação dos pesquisadores, a diferença estatística é altamente significativa, e não uma coincidência. O futebol não causa a violência doméstica. Ele evidencia dinâmicas violentas já existentes. A frustração com resultados negativos ou inesperados é um dos elementos que podem intensificar comportamentos agressivos. O que ocorre após a partida, em casa, é como um terceiro tempo do jogo.

A sugestão dos pesquisadores a governos, sociedade e setor esportivo é que a capacidade do futebol – paixão nacional – de mobilizar pessoas seja usada também para prevenir a violência, com realização, nas arenas, de campanhas de educação sobre masculinidade tóxica, por exemplo. Eles também propõem a criação de postos de denúncia dentro dos estádios, iniciativa no mínimo curiosa quando se pensa que a frequência nos locais é majoritariamente masculina.

As propostas mais relevantes são estabelecer punições para atletas envolvidos em agressão contra mulheres e banir das organizadas os torcedores condenados por violência doméstica. De fato, em campo também precisa valer a máxima popular de que “a palavra convence, mas o exemplo arrasta”