O Palmeiras foi campeão brasileiro de 2022 no dia 2 de novembro, com uma formação com dois jogadores de seleções internacionais: Wéverton, Marcos Rocha, Gustavo Gómez, Murilo e Piquerez; Danilo e Zé Rafael; Rony, Scarpa e Dudu; Endrick. Com este time, goleou o Fortaleza por 4 x 0 e festejou a taça conquistada, de verdade, na tarde anterior, com da vitória por 1 x 0 do América sobre o Internacional.
Três meses depois, em 14 de fevereiro de 2023, a CBF reuniu os clubes em Conselho Técnico e aprovou, junto com eles, o aumento do limite de estrangeiros. De cinco para sete. Quer dizer, até três anos e meio atrás, ninguém se chocava com o fato de o Brasil permitir cinco atletas de outras seleções por clube. Subiu para sete e para nove no ano seguinte.
Em três anos, o arrependimento. Se não de toda a sociedade, dos clubes que votaram a diminuição gradual até chegar a cinco em 2030, igualzinho ao que acontecia há três anos e meio.
Times choram por contratos que romperam no passado
Proibir bets não é ação eleitoreira; é humanitária
Em janeiro de 2023, o governo Lula começou a tentar corrigir uma distorção que vinha desde a legalização das apostas online, no final do governo Michel Temer. O processo de regulamentação começou a ser montado, o que deveria ter acontecido durante os dois primeiros anos da gestão Bolsonaro e fo adiado com prazo renovado de mais dois anos. Como Bolsonaro ficou no 0 x 0, Lula precisou regulamentar.
Três anos e meio depois, com mais motivo pela crise da saúde pública, o governo veta as Bets, com a Medida Provisória assinada pelo Presidente da República na tarde de sexta-feira.
Nos dois casos, ainda que as duas medidas pareçam justas neste setembro de 2026 — só um campeão brasileiro ganhou o título com cinco titulares estrangeiros — as duas são antídotos para decisões mal refletidas no passado.
Era para impedir o jogo na origem, não legalizar no governoTemer, ter o diagnóstico certo e não regulamentar em 2023 no início do governo Lula? Aqui ainda cabe a explicação de que a regulamentação fez explodir o vício e as dívidas. Mas o primeiro clube brasileiro a estampar um site de apostas na camisa foi o Fortaleza, em 2019, quatro anos antes da regulamentação.
Não é um erro do governo, mas é um equívoco da sociedade. A gente se espanta com o óbvio e decide proibir o jogo que, na prática, estava proibido desde o governo Dutra, em 1946!
Acima de tudo está a saúde pública, na decisão do governo. Ainda que fosse necessário pensar nos contratos assinados, não dos clubes que podem cumpri-los ao rescindir pagando multas, mas das outorgas pagas há três anos para que as bets funcionassem por cinco anos. Agora está vetado, perfeito. Saúde pública em primeiro lugar.
O caso dos estrangeiros, muito menos complexo, implica apenas a má informação de parte da imprensa, que julga não haver limites na Europa, e há. Acontece que a limitação, lá, está limitada pela legislação, que dá a qualquer profissional do futebol com cidadania europeia a liberdade de jogar em qualquer lugar da Comunidade Econômica sem ser estrangeiro. Então, o limite é de três extra-comunitários por súmula no Campeonato Espanhol, por exemplo. A Espanha é a atual campeã mundial masculina e feminina.
Pode ser cinco, nove, dez, dois como nos tempos do Corinthians campeão mundial de Gamarra e Rincón... Só precisa pensar bem pensado antes de tomar qualquer decisão que terá impacto na vida das pessoas no futuro.
Sou a favor do fim das Bets. Mas julgo que deveria haver prazo entre o anúncio da proibição e o fim dos contratos. Na Inglaterra, este prazo foi de três anos e quatro meses entre a decisão de proibir publicidade frontal nas camisas dos clubes e a entrada em vigor do veto. Lá, a decisão foi dos clubes, não do governo. Aqui, o prazo poderia ser de um ano para adequação dos contratos e das empresas.
Sou a favor do limite de cinco estrangeiros. Não havia mais do que isso no Brasil até o Brasileirão 2023. Na Europa, também há limite. Na Espanha, três extra-comunitários. Isto ajudaria a trazer mais qualidade do que quantidade. Também pode ser uma das medidas, combinada com outras, a dar mais jogos aos jovens que têm condição legal de jogar pela seleção brasileira em Copas do Mundo.
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