Belén Aquino avançou pela esquerda do ataque do Corinthians e encontrou Gisela Robledo dentro da área, em um daqueles lances que parecem destinados a terminar em gol, mas Cláudia apareceu no caminho, fechou o espaço e fez uma grande defesa para manter o Cruzeiro vivo no confronto. Na Fonte Nova, a história se repetiu com outra goleira decisiva: Bia Zaneratto teve a oportunidade de colocar o Palmeiras novamente na frente, mas Yanne Lopes leu a cobrança da camisa 10, defendeu e evitou que o Bahia saísse derrotado de casa. Em uma rodada de quartas de final marcada pelo equilíbrio, as goleiras ganharam protagonismo e foram determinantes para manter os confrontos ainda sem definição.
As quartas de final do Brasileirão Feminino começaram com um cenário de equilíbrio entre as oito equipes que seguem na disputa pelo título. Grêmio, São Paulo, Flamengo, Ferroviária, Cruzeiro, Corinthians, Bahia e Palmeiras entraram em campo em busca de uma vantagem para o segundo jogo, mas apenas Flamengo e Corinthians conseguiram vencer na ida, ambos por diferença mínima. Nos outros dois confrontos, Grêmio e São Paulo ficaram no empate sem gols, enquanto Bahia e Palmeiras terminaram em 1 a 1, deixando a decisão completamente aberta para os jogos de volta.
No sábado, Grêmio e São Paulo fizeram um duelo de poucas concessões no Alfredo Jaconi e empataram por 0 a 0, resultado que traduz o equilíbrio encontrado pelas duas equipes ao longo da partida. A chuva forte teve papel importante na dinâmica do jogo, dificultando a circulação da bola e interferindo diretamente na construção das jogadas, especialmente em um confronto no qual qualquer erro poderia significar uma vantagem importante para o adversário. Com o placar zerado, ninguém conseguiu levar vantagem para a volta, e a classificação permanece em aberto.
No Rio de Janeiro, o Flamengo aproveitou o fator casa para construir a única vantagem das mandantes nas quartas de final. As Meninas da Gávea venceram a Ferroviária por 1 a 0, com Mariana Fernandes balançando as redes depois de uma jogada construída por Cristiane. O resultado é curto, mas coloca o Flamengo em uma situação mais confortável para o segundo encontro, enquanto a Ferroviária terá de buscar pelo menos um gol para levar a disputa novamente ao equilíbrio.
No Independência, o Corinthians saiu na frente do Cruzeiro por 1 a 0 graças a um golaço de Vic Albuquerque, mas a vantagem poderia ter sido maior não fosse a atuação de Cláudia. A goleira do Cruzeiro foi um dos principais nomes da partida e apareceu justamente quando o Corinthians conseguiu encontrar espaços mais perigosos no ataque. Em um dos lances mais emblemáticos da noite, Belén Aquino avançou pela esquerda e encontrou Gisela Robledo livre na área, pronta para finalizar, mas Cláudia saiu da posição e utilizou os pés para impedir o gol que poderia praticamente encaminhar o confronto. A atuação manteve o Cruzeiro a apenas um gol de distância e dá ao time mineiro margem para acreditar em uma reação na partida de volta.
A boa fase de Cláudia não surge apenas a partir da atuação contra o Corinthians. Aos 24 anos, a goleira defende o Cruzeiro e aparece entre as principais opções da equipe na temporada, vencendo a concorrência de Camila nesta reta final de Brasileiro. Antes de chegar ao momento atual, Cláudia passou por categorias de base de Coritiba, Juventude e Grêmio, e estava no Fluminense antes de chegar ao Cruzeiro A goleira também já conquistou espaço com a Seleção Brasileira e tem uma Copa América Feminina no currículo.
Na Fonte Nova, Bahia e Palmeiras fizeram talvez o confronto mais movimentado da rodada e terminaram empatados por 1 a 1. Brena abriu o placar para as Palestrinas, mas Wendy deixou tudo igual para as Mulheres de Aço, em uma partida marcada pela intensidade, pelas discussões envolvendo a arbitragem e, principalmente, pela atuação de Yanne Lopes. A goleira do Bahia teve de aparecer em momentos importantes, especialmente na defesa na cobrança de pênalti de Bia Zaneratto, retrato de uma noite em que a camisa 10 palmeirense encontrou uma adversária preparada para o desafio.
Yanne tem 23 anos e defende o Bahia, clube pelo qual vem assumindo protagonismo na temporada. Os números ajudam a dimensionar a importância da goleira para a equipe: em 2026, ela soma 18 partidas pelo Brasileirão Feminino, todas como titular, com 22 gols sofridos, além de ter disputado uma partida pela Copa do Brasil. No campeonato nacional, Yanne também aparece entre as jogadoras de destaque em estatísticas defensivas, figurando entre as primeiras colocadas em defesas dentro da área e saídas aéreas seguras. Sua trajetória também já inclui títulos importantes, entre eles a Libertadores Feminina e o Campeonato Brasileiro Feminino A2.
O empate na Fonte Nova também reforça a característica desta edição das quartas de final, na qual os detalhes tiveram peso maior do que a diferença técnica entre os times. Palmeiras e Bahia tiveram momentos de superioridade, mas não conseguiram transformar suas oportunidades em uma vantagem mais confortável, enquanto Yanne apareceu para impedir que a equipe paulista voltasse para casa com o resultado que buscava. Do outro lado, o Bahia encontrou forças para reagir e deixou o confronto igualado, levando para a segunda partida a possibilidade de avançar com uma vitória simples.
Os quatro confrontos chegam à volta em situações diferentes, mas nenhum deles está definido. O Corinthians leva 1 a 0 para o segundo jogo contra o Cruzeiro, o Flamengo tem a mesma vantagem diante da Ferroviária, enquanto Grêmio e São Paulo começam novamente em igualdade após o 0 a 0 e Bahia e Palmeiras voltam a se enfrentar depois do 1 a 1. Se os atacantes foram responsáveis pelos poucos gols da rodada, foram as goleiras que impediram que as vantagens fossem maiores e ajudaram a transformar os jogos de ida em uma espécie de aviso sobre o que pode acontecer na reta decisiva do Brasileirão Feminino: em confrontos equilibrados, uma defesa no momento certo pode valer tanto quanto um gol