As novas regras da CBF para reduzir a cera e aumentar o tempo de bola rolando no Brasileirão estão sendo implementadas de forma apressada, sem treinamento e demagógica, avaliou o comentarista Arnaldo Ribeiro no UOL News Esporte, do Canal UOL.
Os clubes aprovaram mudanças como limite de tempo para reposições, punição para "bolinho" em cima do árbitro e um minuto fora de um jogador de linha após atendimento médico ao goleiro. Para Arnaldo, a pressa e a falta de preparação dos árbitros abrem espaço para confusão já na próxima rodada.
Vai piorar. Ninguém que gosta de futebol é contra essa série de regras. A questão é que a gente precisa mergulhar nesse processo de modificação. Essas medidas são para a torcida, jogando para a torcida. É uma piada ser instituído de uma hora para outra sem treinamento. Treinamento de todo mundo: árbitros, técnicos e jogadores sobretudo. Evidentemente vai dar confusão. O que precisa para melhorar o futebol brasileiro? Um pacto nacional. E não uma canetada da CBF com seus cartolas.Arnaldo Ribeiro
Rodrigo Mattos explicou que a CBF levou aos clubes um diagnóstico feito com a consultoria Opta sobre o tempo de bola rolando no país, que só perde para Argentina no quesito. Segundo ele, o Brasileiro teve 52 minutos e 54 segundos de bola rolando no primeiro semestre.
O principal é faltas. Tanto a quantidade de faltas quanto o tempo que fica parado para as faltas. São marcadas mais faltas no Brasileiro do que na Europa e o tempo que você fica parado para cada falta é maior. É 36 segundos enquanto lá na Europa é de 33 segundos para baixo.Rodrigo Mattos
O colunista também detalhou a regra "antibolinho": após um sinal do árbitro, só o capitão pode permanecer para falar; quem insistir leva cartão amarelo. Ele disse que a votação foi de 38 a 2, com Vitória e Grêmio defendendo que as medidas ficassem para o ano que vem.
Danilo Lavieri concordou com a intenção de melhorar o jogo, mas questionou a execução no meio do campeonato e apontou risco de "jeitinho" para driblar as novas exigências. Ele citou, por exemplo, a contagem de cinco segundos para o lateral só começar quando o jogador pega a bola.
Como a cultura do futebol por aqui, especialmente clubes, eles vão fazer de um jeito para tentar mudar ou tentar driblar a regra, o famoso jeitinho. O cara vai deixar a bola no chão, vai demorar para pegar a bola para bater.Danilo Lavieri
Arnaldo reforçou que a reunião na CBF teve "só cartola" e defendeu que mudanças que interferem na dinâmica do jogo precisam ser discutidas e endossadas por quem entra em campo. Para ele, sem esse acordo, a regra tende a virar disputa de interpretação e novas reclamações de clubes.
Eu acho que nenhuma medida que visa interferir na dinâmica do jogo é aplicável se não for discutida, assinada e rubricada por quem joga. Não existe uma mudança profunda de cultura se os envolvidos não estiverem presentes e endossando essa mudança de cultura.Arnaldo Ribeiro
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