Gabriel Bortoleto mantém a confiança no projeto da Audi para sua carreira na Fórmula 1, mesmo vendo outros pilotos de sua geração conquistarem resultados melhores. O brasileiro acredita que a equipe tem um plano de longo prazo para chegar à frente do grid e quer estar preparado quando isso acontecer.

Bortoleto chegou à categoria ao lado de uma geração que inclui Oliver Bearman, Kimi Antonelli e Isack Hadjar. Os quatro subiram da Fórmula 2 para a F1, mas tiveram trajetórias diferentes nas primeiras temporadas. Enquanto Antonelli lidera o campeonato e Hadjar também disputa posições na frente, Bearman e Bortoleto enfrentam dificuldades para somar pontos.

“Eles são os dois pilotos da minha geração que estão conseguindo pódios”, disse o brasileiro ao Motorsport.com. “Corri contra eles a vida inteira. A verdade é que fui bem contra eles nas categorias de base e sei do que sou capaz. Mas preciso ter paciência. Cada um tem seu próprio caminho. Vamos ver onde estaremos daqui a 20 anos.”

O brasileiro conquistou títulos consecutivos na Fórmula 3, em 2023, e na Fórmula 2, em 2024. Com isso, entrou para um grupo seleto de pilotos que alcançaram essa sequência. Na campanha da F2, superou Bearman, Antonelli e Hadjar, que agora também competem na principal categoria do automobilismo.

Ainda assim, a realidade da F1 é bem diferente. Bortoleto reconhece que realizar o sonho de chegar à categoria é motivo de felicidade, mas admite que a transição se torna difícil depois de uma trajetória marcada por vitórias nas categorias de base.

“Estou muito feliz por estar na Fórmula 1. É o primeiro passo em direção a um sonho que sempre tive. Ao mesmo tempo, para ser sincero, também é difícil quando você vem das categorias de base, onde estava vencendo, e chega à F1 sabendo que não pode lutar na frente”, afirmou.

“Já faz quase dois anos. Hoje, o objetivo é marcar pontos, e isso não é fácil.”

Na visão do brasileiro, a mudança exige uma nova mentalidade. Na F2, até mesmo um piloto em uma equipe menos competitiva pode encontrar oportunidades de vitória. Na F1, porém, o desempenho depende muito mais do pacote técnico disponível, e o piloto precisa aprender a lidar com objetivos diferentes.

Assim como Bearman na Haas, Bortoleto faz parte de uma equipe que busca evoluir para sair do fundo do grid e disputar posições de destaque. O brasileiro considera que o plano da Audi é justamente o que o mantém motivado, mesmo diante das dificuldades atuais.

“O que me motiva e me faz continuar é o projeto do qual faço parte. Não estou em uma equipe cuja ambição seja permanecer onde estamos hoje. Estou em uma equipe que melhora a cada ano e tem um plano claro de longo prazo”, explicou.

“Espero que um dia eu possa olhar para trás e perceber que tudo o que passamos nos ajudou a chegar ao topo.”

A contratação do brasileiro também representa um investimento no futuro. Aos 22 anos, Bortoleto tem tempo para se desenvolver junto com a Audi e assumir um papel de liderança à medida que a equipe avançar. Ele encara essa possibilidade com orgulho, e não como uma fonte de pressão.

“Orgulho, sim. Pressão, não. Haverá momentos difíceis e períodos em que não estaremos vencendo. Preciso continuar trabalhando minha mentalidade, cuidando de mim mesmo e evoluindo como piloto”, afirmou.

Bortoleto não vê a possibilidade de a Audi chegar à frente do grid como uma questão de dúvida, mas de tempo. O brasileiro acredita que a equipe poderá oferecer um carro e uma unidade de potência competitivos e quer aproveitar a oportunidade quando ela surgir.

“Porque, no dia em que a Audi me der a oportunidade de vencer, com um carro vencedor e um motor vencedor — e isso vai acontecer, não acho que demore tanto —, terei que estar pronto para mostrar do que sou capaz”, declarou.

O piloto também reconhece que a transformação de uma equipe do fundo para a frente do grid não acontece da noite para o dia. Por isso, considera essencial manter a paciência e continuar entregando o melhor possível enquanto o projeto amadurece.

Atualmente, Bortoleto ocupa a 15ª posição no campeonato de pilotos, enquanto a Audi aparece em oitavo lugar entre os construtores. Antonelli e Hadjar estão mais próximos da disputa pelo título, mas o brasileiro acredita que o cenário pode mudar rapidamente.

“Neste momento, Hadjar e Kimi estão definitivamente mais perto do objetivo final, que é conquistar um campeonato mundial. Mas tudo pode mudar em um ano. Nunca se sabe. Só preciso continuar fazendo o meu melhor”, concluiu