Com Edivaldo Miranda e Jonatas Pacheco, enviados especiais ao Rio de Janeiro
A CBF aprovou novas regras para o futebol brasileiro. A implementação das novas diretrizes foi aprovada em reunião na tarde desta segunda-feira (10), em um hotel na Barra da Tijuca (RJ), entre a entidade e dirigentes dos clubes das Séries A, B, C e D. As mudanças já valem a partir da próxima rodada do Campeonato Brasileiro 2026, no próximo fim de semana.
Resumidamente, a partir de agora, o time terá apenas cinco segundos para bater o tiro de meta, ou escanteio. Caso contrário, o time adversário ganhará escanteio ou o próprio lateral. Nas substituições, o jogador substituído terá dez segundos para deixar o gramado - ou o time dele terá que ficar um minuto com um jogador a menos.
A partir de agora, um atleta que receber atendimento médico terá que ficar um minuto fora de campo. Se este jogador atendido for o goleiro, o treinador ou o capitão do time terão que escolher um atleta de linha para ficar um minuto fora do jogo.
Outra implementação é a respeito dos famosos bolinhos de jogadores para reclamar com os árbitros. A partir de agora, só o capitão de cada time poderá se comunicar com o juiz. Se um atleta que não é o capitão falar ou reclamar com o árbitro, ele pode ser advertido verbalmente ou receber um cartão amarelo.
Outra alteração aprovada dá ao VAR um poder adicional. A partir de agora, o árbitro de vídeo pode recomendar a revisão de um cartão amarelo que resulte em expulsão, caso entenda que a advertência foi injusta. Há ainda outra mudança, mas que só vai valer em 2027.
A partir do ano que vem, o VAR também poderá revisar um escanteio dado indevidamente, quando ele resultar em gol ou pênalti para o time que está atacando.
Presente na reunião que sacramentou a implementação das regras, o executivo de futebol do Cruzeiro, Bruno Spindel, celebrou as novidades, que começam a valer já no próximo fim de semana.
"É de grande elogio o trabalho que o presidente Samir e a CBF vêm fazendo na direção da profissionalização de todos os aspectos do futebol brasileiro, da melhoria do futebol brasileiro, na ideia de ter mais futebol, menos arbitragem, mais tempo de bola rolando. Todas as medidas que forem nessa direção acho que são muito bem-vindas, são na direção do que o torcedor espera, do que o amante do futebol espera. Ter um melhor espetáculo, ter um melhor produto, e o Cruzeiro só tem a elogiar essas medidas", avaliou o gestor.
O CEO do Atlético, Pedro Daniel, também esteve presenta na reunião. O gestor alvinegro também aprovou as novas determinações e acredita que elas vão proporcionar melhorias ao futebol brasileiro.
"Fiquei muito feliz com o que ouvi, tivemos uma apresentação muito técnica de quais são os objetivos da arbitragem e acho que vamos ter mais tempo de bola rolando, um produto de mais qualidade. Foi bem interessante, as regras votadas já iniciam agora, somente a questão da mão da boca fica para o ano que vem. Foi uma discussão de alto nível e estou confiante que o produto vai melhorar", declarou, em conversa com O TEMPO Sports.
Outra mudança, que já vai valer neste ano, é a implementação do protocolo Vini Jr.. Resumidamente, a regra proíbe que jogadores tapem a boca quando forem discutir com algum adversário. Quem fizer isto poderá receber cartão vermelho.
As séries A e B do Brasileirão, a Copa do Brasil e o Brasileirão Feminino já terão as regras valendo a partir das próximas rodadas e fases. As outras competições ainda não têm prazo para receber as novas regras. As alterações visam acabar com a famosa 'cera' no futebol brasileiro, práticas das equipes para atrasar o jogo ou desacelerar seu ritmo.
Um estudo feito pela CBF apontou os jogos têm em média 52 minutos de bola rolando no Brasil. As principais ligas do mundo, por sua vez, se aproximam dos 60 minutos. A ideia, conforme a entidade, é em um curto espaço de tempo chegar a 57 minutos de bola rolando.
O diretor de arbitragem da CBF, Netto Góes, celebrou a implementação das regras. O gestor pontuou que os pedidos para que a CBF seguisse o mesmo caminho da Fifa e da Conmebol, que estavam implementando as regras, tiveram peso na decisão. Ele também descartou falta de isonomia com a aplicação das regras só a partir da 23ª rodada do Brasileirão.
"Nós temos discutido isso muito com os clubes até a implementação. Assim como tivemos cuidado com impedimento semiautomático, de implementar só no segundo turno. A gente entende que tem um contexto claro. Então, a gente entende que tem que ser discutido, para ter essa segurança da implementação. São regras que, teoricamente, a gente poderia estar implementando desde a primeira rodada, optamos por discutir com os clubes essa implementação de forma mais segura. Nós vamos capacitar e instruir esses clubes sobre essa implementação, assim como fizemos na semana passada com clubes que disputam competições sul-americanas, nesta semana vamos fazer um intensivão de instrução com eles e com nossos árbitros", pontuou, em entrevista a O TEMPO Sports.
Se após agarrar a bola, o goleiro exceder este tempo, o adversário ganhará escanteio.
A contagem começa assim que o jogador tiver a bola em mãos. Se ele ultrapassar o tempo de cinco segundos para fazer o arremesso, o lateral é invertido em favor do time adversário.
O árbitro apita e conta cinco segundos. Caso o goleiro exceda o tempo, o time adversário ganha escanteio.
4. Dez segundos para deixar o campo em substituições