Chuva e calor extremo podem transformar o retorno da Fórmula 1 a Sepang em um enorme desafio técnico.
A chuva e o calor no GP da Malásia podem criar uma combinação especialmente difícil para a Fórmula 1. A previsão mais recente indica 75% de possibilidade de chuva na tarde de domingo, enquanto a sensação térmica poderá alcançar 43°C em Sepang.
O GP será realizado entre sexta-feira, 2 de outubro, e domingo, dia 4. Além disso, marcará o retorno da F1 à Malásia pela primeira vez desde 2017.
No entanto, a chuva não será a única preocupação das equipes. O calor tropical colocará à prova o resfriamento das novas unidades de potência, principalmente das baterias.
A previsão indica possibilidade de chuva durante os três dias do GP. No domingo, o risco chega a 75% durante a tarde, com volume estimado de 3,6 mm.
A corrida terá 56 voltas e começará às 15h no horário local. Portanto, acontecerá justamente no período em que as tradicionais tempestades tropicais costumam atingir Sepang.
Na sexta-feira, a possibilidade de chuva também chega a 75%. Além disso, o risco permanece durante o terceiro treino livre e a classificação de sábado.
Enquanto isso, a temperatura do ar poderá alcançar 33°C. A umidade relativa próxima de 73%, porém, deverá elevar a sensação térmica para aproximadamente 43°C.
Consequentemente, pilotos, pneus, freios e unidades de potência trabalharão sob condições extremamente exigentes.
A nova geração de unidades de potência depende bastante da parte elétrica. Por isso, controlar a temperatura da bateria tornou-se ainda mais importante em 2026.
Quando a bateria ultrapassa sua faixa ideal de funcionamento, o sistema precisa protegê-la. Nesse caso, a entrega elétrica pode ser reduzida para evitar superaquecimento, perda de eficiência ou danos aos componentes.
Em Sepang, isso pode custar muito tempo. O circuito possui duas longas retas consecutivas, justamente os principais pontos de ultrapassagem.
Portanto, um carro que chegar ao fim dessas retas com menor potência elétrica ficará mais vulnerável. Além disso, terá menos condições de atacar o adversário que estiver à frente.
O problema não se limita à bateria. Motor a combustão, turbo, eletrônica, freios e câmbio também precisam operar dentro das temperaturas previstas pelas equipes.
As equipes precisam escolher a configuração básica de resfriamento antes de conhecerem exatamente as condições da corrida. Depois do início do regime de parque fechado, mudanças importantes ficam muito mais limitadas.
A FIA pode autorizar alterações específicas caso ocorra uma mudança climática relevante. Entretanto, as equipes não podem simplesmente reconstruir toda a configuração térmica entre a classificação e a corrida.
Dessa maneira, cada escolha envolve um compromisso entre refrigeração e desempenho aerodinâmico.
Aberturas maiores ajudam a retirar o calor, mas também aumentam o arrasto e prejudicam a eficiência do carro. Por outro lado, uma carroceria mais fechada melhora o desempenho aerodinâmico, porém reduz a margem de segurança térmica.
Se uma equipe preparar o carro para uma corrida muito quente e depois enfrentar chuva, poderá carregar refrigeração e arrasto além do necessário. Em contrapartida, se apostar em temperaturas mais baixas e o domingo permanecer seco, poderá sofrer com superaquecimento.
Assim, o clima incerto transforma o acerto de Sepang em uma verdadeira aposta técnica