Dois dos piores momentos da rodada do fim de semana do Brasileirão, que a comissão de arbitragem da CBF precisa coibir como ocorreu na Copa do Mundo, foram as simulações de Rodrigo Garro e Alejo Véliz no empate por 1 a 1 entre Bahia e Corinthians, na Fonte Nova, ontem.

A atitude antidesportiva atrapalha a dinâmica do jogo. Primeiro, Garro fingiu ter tomado uma cabeçada do zagueiro do Bahia, David Duarte. A transmissão mostrou mais de três vezes que o jogador só encostou a testa na testa do meia, que caiu e ficou no chão por cerca de dois ou três minutos. A paralisação quebrou o ritmo da partida antes de o atleta se levantar e sair andando.

O árbitro deu cartão para David Duarte, mas deveria ter punido o meia. No segundo tempo, o corintiano simulou outra lesão, dessa vez no tornozelo, mas voltou a jogar normalmente minutos depois.

Quatro anos de silêncio e dois meses de presença

A prática é comum no futebol sul-americano, principalmente entre goleiros, o que deixa as partidas sem ritmo e picotadas. As simulações estragam o futebol brasileiro, diga-se.

No fim do primeiro tempo, o atacante Alejo Véliz, do Bahia, simulou ter levado um soco no rosto. A transmissão de TV mostrou, em velocidade normal e em câmera lenta, que a mão de Kaio César nem sequer encostou no adversário. Esse comportamento gera indignação em quem assiste, pois as imagens expõem a farsa.

As simulações provocam tumultos e empurra-empurra desnecessários. Muitas vezes, atletas acabam expulsos ao defender um companheiro que apenas fingiu.

A simulação deveria ser considerada falta grave por tentar enganar o árbitro e inflamar a torcida, que não tem acesso ao replay na arquibancada.

O VAR (árbitro de vídeo) deveria intervir e recomendar o cartão amarelo para quem tenta enganar a arbitragem.

Na Copa do Mundo de 2026, os árbitros, inclusive brasileiros, foram instruídos a não aceitar simulações. Isso garantiu partidas mais dinâmicas e intensas no Mundial.

Simulação no futebol não é algo novo. Um dos casos que me recordo foi com Rivaldo, na Copa do Mundo de 2002, ainda na fase de grupos. O camisa 10 da seleção brasileira desabou após fingir que teria sofrido uma bolada no rosto. Na realidade, o chute de Hakan Ünsal, que acabou expulso naquela ocasião, pegou na coxa direita do craque brasileiro.

Os técnicos também deveriam cobrar seus atletas. Rogério Ceni, do Bahia, e Fernando Diniz, do Corinthians, preferiram culpar a arbitragem ou o desgaste físico — mesmo após 40 dias sem jogos. Nenhum deles criticou as simulações de seus comandados, apesar de terem acesso a imagens no banco de reservas.

O problema afeta todos os clubes. Sem uma postura firme da comissão de arbitragem da CBF, o futebol brasileiro não vai evoluir. Sem punição, as simulações vão continuar.

Confio no Sandro Meira Ricci, presidente da comissão de arbitragem, para instruir seus árbitros e VAR a combater as simulações, sabendo que isso ajudará o futebol brasileiro.

Trabalhei com ele e mais José Roberto Wright, Arnaldo Cezar Coelho, Paulo César de Oliveira, Renato Marsiglia, Leonardo Gaciba, Sálvio Spínola e sei também que a Ana Paula Oliveira, com quem trabalhei na Copa do Mundo pelo UOL, como todos os árbitros, abomina jogadores simuladores e espero uma atitude radical da comissão.

A partir do dia 10 de agosto, os clubes serão informados das mudanças das regras que foram usadas na Copa do Mundo. A simulação que antes era punida com cartão amarelo nos lances de pênalti, agora será no campo todo. Se o VAR constatar que não houve nada, ele avisa ao árbitro que aplica um cartão amarelo, como aconteceu com o jogador da Suíça na Copa do Mundo. Arnaldo Cézar Coelho, árbitro da final da Copa de 1982

O novo protocolo VAR referente ao erro de identidade deve ser utilizado quando o árbitro aplica o cartão amarelo, e o VAR tem a imagem clara de uma simulação, deverá recomendar uma revisão, como vimos na Copa do Mundo 2026. Infelizmente, a CBF falhou em atrasar a aplicação das alterações das regras do jogo. Tudo indica que, após o dia 10 de agosto, as novas regras serão colocadas em prática. A simulação é um prejuízo enorme para o espetáculo.Ana Paula Oliveira, ex-assistente de arbitragem e comentarista

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