A Data Fifa de outubro representou uma oportunidade diferente para Artur Jorge no comando do Cruzeiro. Após uma sequência de oscilações e de eliminações na Copa do Brasil e na Libertadores, o treinador ganhou mais de duas semanas sem jogos para trabalhar aspectos que vinham incomodando a equipe e, ao mesmo tempo, recuperar jogadores que apresentavam problemas físicos.

A Raposa voltou aos treinamentos há 10 dias depois de uma semana de folga. O período foi planejado para preparar a equipe para a reta final do Campeonato Brasileiro, única competição que restou ao clube na temporada de 2026. O clube ocupa a 6ª colocação, com 45 pontos, e tem como principal objetivo garantir uma vaga direta na Libertadores de 2027.

Mais do que preparar o time para o São Paulo, primeiro adversário após a pausa, Artur Jorge teve a possibilidade de atacar alguns dos principais gargalos apresentados pelo Cruzeiro nas partidas anteriores. As equipes se enfrentarão nesta quarta-feira (7/10), às 21h30 (de Brasília), no Mineirão, pela 29ª rodada do Brasileirão.

O principal ponto de atenção é a defesa. Antes da pausa, o Cruzeiro vinha sofrendo gols com frequência. Após 28 rodadas da competição, a equipe havia sido vazada em 23 partidas e sofrido 40 gols, números que colocavam a Raposa entre as piores defesas da competição.

O problema, portanto, não estava necessariamente restrito aos zagueiros. Havia uma questão coletiva de proteção e compactação.

Na derrota para o Santos, por exemplo, Artur Jorge apontou justamente a distância entre os jogadores como um dos problemas da equipe. Para o treinador, o Cruzeiro permitiu que os meio-campistas adversários recebessem espaço para trabalhar, algo que havia sido evitado em partidas anteriores.

A Data Fifa ofereceu tempo para repetir movimentos defensivos, ajustar posicionamento e trabalhar a distância entre as linhas.

O meio-campo também apareceu como um setor a ser ajustado. Também diante do Peixe, o português identificou que a equipe perdeu a capacidade de encurtar os espaços e pressionar o adversário de maneira coordenada. A questão ganha importância porque o Cruzeiro vinha alternando estruturas no setor na tentativa de encontrar maior equilíbrio.

A pausa permitiu ao treinador trabalhar diferentes possibilidades sem a pressão de precisar corrigir os problemas de uma partida para outra em poucos dias.

A tendência é que o trabalho tenha passado por duas frentes: melhorar a compactação quando o Cruzeiro não tem a bola e encontrar uma distribuição que permita à equipe sair para o ataque sem deixar espaços excessivos entre os setores.

Outro ponto que Artur Jorge precisou observar foi o funcionamento do sistema ofensivo.

A equipe apresentou dificuldades quando atuou com dois pontas e, ao mesmo tempo, passou por situações em que povoar o meio-campo também não resolveu todos os problemas. A discussão sobre o 4-3-3 ganhou força justamente pela necessidade de encontrar um desenho que equilibre criação e proteção defensiva.

Com mais tempo de treinamento, Artur Jorge pôde testar alternativas e observar quais jogadores oferecem maior equilíbrio ao time.

A questão não é simplesmente escolher entre um esquema ou outro, mas encontrar uma estrutura que permita ao Cruzeiro manter Matheus Pereira, Kaio Jorge e seus demais jogadores ofensivos próximos do gol sem comprometer a proteção defensiva.

A Data Fifa também funcionou como uma espécie de período de recuperação física. O volante Lucas Romero, por exemplo, havia ficado fora da partida contra o Vitória por causa de um incômodo na panturrilha. O argentino passou por recuperação e voltou aos treinamentos na reapresentação.

Kaique Kenji também evoluiu durante o período. O atacante sofreu uma entorse no tornozelo e voltou a participar dos treinamentos antes do confronto com o São Paulo.

A recuperação é particularmente importante porque o Cruzeiro terá uma sequência pesada de jogos em outubro. Ter mais jogadores disponíveis aumenta as possibilidades de Artur Jorge mexer no time sem necessariamente perder qualidade.

Outro caso que chamou atenção foi o de Fabrício Bruno. O zagueiro havia revelado após a derrota para o Santos que convivia com dores nas costas durante a temporada. Na partida seguinte, contra o Vitória, começou no banco e entrou apenas nos minutos finais.

Artur negou que a decisão tivesse relação com a declaração do jogador e explicou que a escolha fazia parte da estratégia defensiva. A pausa, nesse contexto, também foi importante para administrar a condição física do defensor e dar ao treinador tempo para avaliar a melhor formação para a reta final