Após a UEFA anunciar boicote às competições organizadas pela Fifa, caso o presidente Gianni Infantino siga com o plano de privatizar parte dos direitos comerciais dos principais torneios da entidade, incluindo a Copa do Mundo, foi a vez da Concacaf (Confederação das Américas do Norte, Central e Caribe) se pronunciar sobre o tema. Após reunião de emergência com as 41 federações, realizada nesta quinta-feira (30/7), ficou definido que a confederação não irá aceitar a proposta.

"Durante a reunião, os membros expressaram profunda preocupação quanto à falta de um processo adequado em torno da proposta, ao prazo artificialmente curto imposto e à ausência de análise ou aprovação pelos órgãos de governança competentes da FIFA", iniciou a confederação.

"Além disso, foram levantados questionamentos sobre a necessidade de recorrer a investimentos de capital privado para financiar programas novos e existentes do FIFA Forward, logo após a Copa do Mundo da FIFA mais lucrativa da história. A discussão reforçou a necessidade de maior transparência e de uma governança adequada. Por essas razões, a Concacaf e suas 41 Associações Membro rejeitaram a proposta", disse.

A crise entre Fifa e confederações começou no início desta semana, com o anúncio do projeto de Infantino para criar uma empresa responsável pelos direitos comerciais das principais competições da entidade. A proposta prevê a venda de cerca de 20% dessa companhia para investidores privados, em uma operação avaliada em aproximadamente US$ 20 bilhões. Segundo a Fifa, o objetivo seria aumentar as receitas e redistribuir mais recursos às 211 federações nacionais filiadas.

Com a posição de não aceitar o proposto pela Fifa, a Concacaf encerrou a nota informando que o "futuro do futebol deve permanecer nas mãos da nossa família do futebol".

"Por meio dessas ações, a Concacaf reafirma que o futuro do futebol — e seu ativo mais valioso — deve permanecer nas mãos da nossa família do futebol", completou

A Fifa publicou uma nota em seu site oficial, onde disse que a injeção de dinheiro privado pode ser decisiva para "alcançar todo o potencial dos direitos de transmissão e dos patrocínios da Fifa em todo o seu portfólio de competições de futebol masculino, feminino e de base".

A Concacaf é uma confederação unida pelo amor ao nosso esporte, onde o futebol vem em primeiro lugar. Guiados por essa filosofia na última década, construímos — desde a base — uma organização fundamentada no espírito de servir, na governança transparente e na gestão responsável do esporte, sempre com uma visão de longo prazo.

A história mostrou à FIFA e à família do futebol o que acontece quando os guardiões do esporte perdem de vista esses valores.

Com isso em mente, a Concacaf convocou hoje uma reunião com os presidentes de suas 41 Associações Membro — juntamente com seu Presidente, membros do Conselho e membros do Conselho da FIFA — para analisar uma proposta desenvolvida e apresentada pelo Presidente da FIFA visando criar a "FIFA Forward Enterprise" e vender participações na Copa do Mundo da FIFA a investidores privados.

Durante a reunião, os membros expressaram profunda preocupação quanto à falta de um processo adequado em torno da proposta, ao prazo artificialmente curto imposto e à ausência de análise ou aprovação pelos órgãos de governança competentes da FIFA. Além disso, foram levantados questionamentos sobre a necessidade de recorrer a investimentos de capital privado para financiar programas novos e existentes do FIFA Forward, logo após a Copa do Mundo da FIFA mais lucrativa da história.

A discussão reforçou a necessidade de maior transparência e de uma governança adequada.

Por essas razões, a Concacaf e suas 41 Associações Membro:

Incumbiram seus membros no Conselho da FIFA de dialogar com a entidade para determinar como as significativas reservas existentes da FIFA poderiam ser utilizadas para aumentar o financiamento do programa FIFA Forward, dedicado ao desenvolvimento do futebol em nossa região; e

Incumbiram seus membros no Conselho da FIFA de instruir o Presidente da FIFA a garantir que qualquer assunto siga os processos adequados de governança, envolvendo a equipe da FIFA e o Conselho da FIFA, em conformidade com os Estatutos da FIFA.

Por meio dessas ações, a Concacaf reafirma que o futuro do futebol — e seu ativo mais valioso — deve permanecer nas mãos da nossa família do futebol