A XSoccer nasceu em 2019, idealizada pelos ex-jogadores Bruno Jacques e Willian Bandeira, mas foi a partir de 2021 que passou a investir no futebol feminino. Hoje, a agência representa 63 atletas da modalidade e outras 10 do masculino, com atuação em negociações nacionais e internacionais e foco no desenvolvimento de carreira das jogadoras.

Com sede em Porto Alegre, a empresa aposta em um modelo de acompanhamento que vai além das transferências. A estrutura conta com parcerias com profissionais de áreas como nutrição, psicologia, fisioterapia, preparação física, marketing e design, além de parcerias internacionais para dar suporte às atletas que atuam no exterior. A empresa foi responsável por intermediar algumas das primeiras transferências de brasileiras para o futebol feminino da Arábia Saudita e vê o mercado internacional como uma das frentes de crescimento da modalidade.

Em entrevista ao Lance!, Bruno Jacques falou sobre a criação da XSoccer, a profissionalização do futebol feminino, o mercado de transferências e os objetivos da agência para os próximos anos. O portfólio da agência reúne nomes como Lelê, do Fluminense, Radija, do Cruzeiro, Aninha, do Internacional, Camila Pini, Dani Barão, Tuani, Alice, Tefinha, Cássia, Fany Gauto, Límpia, Fabíola Sandoval, Lari Sanchez, Carol Valle, Karol Dias, Emmily Karla, Hilary e Letícia, entre outras jogadoras que atuam tanto no mercado nacional quanto em clubes do exterior.

Esta reportagem integra uma série especial do L! sobre o mercado de transferências no futebol feminino. Ao longo das próximas publicações, serão apresentados agentes, empresas e profissionais que atuam nas negociações de atletas, além de discutir o funcionamento desse mercado, seus desafios e as oportunidades que impulsionam o crescimento da modalidade.

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Lance! - Como surgiu a XSoccer e qual foi o caminho de vocês até entrarem no futebol feminino?

Bruno Jacques - O futebol faz parte da minha vida desde os cinco anos de idade. Passei por escolinhas, categorias de base e joguei até os 31, 32 anos. Não atuei em grandes clubes, mas o futebol me trouxe conhecimento e abriu portas. Eu e meu sócio, Willian, também ex-jogador, abrimos a agência há sete anos. Trabalhamos com o futebol feminino desde 2021 e acreditamos que ter vivido o esporte nos ajuda a entender o lado da atleta dentro e fora de campo.

Sou formado em Administração e consegui conciliar os estudos com a carreira. Joguei na Espanha, Guatemala e em vários estados do Brasil, o que me permitiu construir uma rede de contatos que hoje utilizamos no trabalho.

A ideia da agência surgiu em 2019, durante um café. Queríamos continuar ligados ao futebol, que sempre foi nossa paixão. Para nós, não se trata apenas de negociar contratos. Trabalhamos com sonhos, com famílias. Muita gente associa empresário apenas a dinheiro, mas acreditamos que nosso papel é gerir carreiras e pessoas.

Quando decidimos abrir a agência, fomos buscar capacitação. Sempre pensamos em fazer diferente do que vimos ao longo da nossa trajetória como atletas. Hoje temos 63 jogadoras e 10 atletas do masculino. Conseguimos olhar para trás e enxergar evolução financeira, pessoal e profissional em praticamente todas elas. Nossa primeira atleta no feminino foi a Tuani Lemos, que levamos para a Arábia Saudita em 2023. Ela saiu de uma situação contestada no Grêmio, virou capitã no clube árabe e construiu uma trajetória muito bonita.

Lance! - Como foi abrir esse mercado na Arábia Saudita e quais foram os principais desafios?

Bruno Jacques - Sempre nos preocupamos com o bem-estar da atleta. Fizemos uma pesquisa detalhada, conversamos com pessoas que já estavam no país e levamos todas essas informações para a Tuani. Explicamos como funcionava a cultura, as adaptações necessárias e ela encarou tudo de forma muito profissional.

Sempre vimos a Arábia como um mercado com grande potencial de crescimento. Muita gente fala do nível técnico, mas ele evoluiu bastante. Para mim, o profissionalismo depende da atleta, não do lugar onde ela joga. Se ela quer evoluir, vai buscar treinar mais, se desenvolver e crescer independentemente do contexto. Claro que existem desafios, como idioma e adaptação cultural, mas o brasileiro costuma se adaptar muito bem.

Lance! - Financeiramente, a Arábia Saudita ainda é muito mais atrativa que o Brasil?

Bruno Jacques - O Brasil evoluiu bastante e hoje paga bem. Claro que queremos que continue melhorando, mas houve uma evolução importante. A diferença depende muito do perfil da atleta.

Na Arábia os valores costumam ser maiores e ainda existem vantagens como moradia, premiações por vitória, empate e gols. Muitas atletas conseguem viver apenas com essas bonificações e acabam guardando praticamente todo o salário.

Lance! - Como você avalia a profissionalização dos clubes no futebol feminino?

Bruno Jacques - Evoluiu bastante desde que começamos, em 2021. Ainda há muito caminho pela frente, principalmente porque o futebol feminino sofreu um atraso histórico muito grande, mas hoje vemos mais profissionais qualificados em todas as áreas.

Também mudou a mentalidade das atletas. Temos jogadoras de 38 anos, como a Lelê, do Fluminense, vivendo grande fase porque se cuidam, treinam, investem na carreira e entendem que são uma empresa. Nosso papel também é incentivar isso. Se elas tiverem sucesso, nós também teremos.

Bruno Jacques: Temos escritório em Porto Alegre, mas passamos boa parte do tempo viajando, visitando clubes e atletas. Nosso dia é telefone, reuniões e deslocamentos. A gente ama o que faz. Claro que trabalhamos muito, mas aprendemos também a aproveitar esse processo. Em determinados momentos do ano viajamos bastante para visitar as atletas e acompanhar tudo de perto