A negociação frustrada entre Corinthians e Memphis Depay, após o clube desistir de estender o vínculo com o camisa 10, ainda repercute internamente. O desfecho negativo pegou o departamento de futebol e a comissão técnica de surpresa, já que ambos contavam com a permanência do jogador e viam a renovação próxima de um acordo.

O Lance! apurou que o executivo de futebol Marcelo Paz e o técnico Fernando Diniz fizeram um "pacto" por vitórias para tentar afastar a crise que ronda o clube. A ideia é concentrar os esforços dentro de campo e evitar que o ambiente conturbado pela saída de Memphis chegue ao grupo de jogadores.

Internamente, a notícia da saída do holandês não agradou. Tanto Diniz quanto o departamento de futebol consideravam o jogador importante para a sequência da temporada e trabalhavam com a expectativa de um desfecho positivo. A decisão do clube, portanto, surpreendeu os envolvidos no futebol corintiano.

Durante o treinamento do Corinthians nesta quarta-feira (12), no estádio do Newell's Old Boys, em Rosario, às vésperas do confronto com o Rosario Central, foi possível perceber o abatimento de Marcelo Paz com a situação. A reportagem ouviu que todo o departamento de futebol ficou chateado com o desfecho da negociação.

Apesar da frustração, a cúpula do futebol entende que as vitórias são o principal caminho para impedir que a crise ultrapasse os limites do campo e chegue ao Parque São Jorge. A comissão técnica e os dirigentes querem blindar o elenco para que a saída de Memphis não afete o desempenho da equipe.

Esse, inclusive, foi o discurso de Rodrigo Garro na entrevista coletiva que antecedeu o jogo contra o Rosario Central. Capitão da equipe, o meia falou sobre a necessidade de "blindar o grupo" diante da saída do camisa 10.

— Infelizmente, a gente não vai poder ter o Memphis conosco. Claro que é uma situação difícil, que a gente não controla. Mas o futebol é assim, as coisas acontecem. Nós, como grupo, líderes, temos que blindar o elenco dessas coisas — disse Garro.

Nos bastidores, o departamento de futebol avaliava, inclusive, a possibilidade de ter o meia-atacante à disposição já no jogo desta semana pela Libertadores.

O presidente também tinha ciência de que uma eventual não renovação poderia gerar cobranças por parte da torcida, principalmente após a eliminação recente do Corinthians na Copa do Brasil, diante do Internacional. Ainda assim, Stabile considerou a decisão "difícil, mas necessária".

Outro ponto determinante foi a dificuldade do Corinthians em encontrar parceiros suficientes para ajudar a bancar o chamado "pacote Memphis". Essa era considerada a última etapa para viabilizar a permanência do atacante no clube.

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