A Fórmula 1 poderá encerrar a temporada 2026 na Europa caso a guerra no Irã impeça a realização dos GPs do Catar e de Abu Dhabi. Nesse cenário, a categoria acionará um plano alternativo para concluir o campeonato.
Stefano Domenicali, CEO e presidente da F1, confirmou que a organização trabalha com meados de setembro como prazo para definir o futuro das duas etapas. Até lá, Catar e Abu Dhabi continuarão oficialmente no calendário.
As hostilidades entre o Irã e forças dos Estados Unidos e de Israel começaram em fevereiro. Desde então, o conflito continua e já provocou mudanças importantes na programação da categoria.
Como consequência, a F1 adiou os GPs do Bahrain e da Arábia Saudita. Inicialmente, as duas provas estavam previstas para abril. Assim, os adiamentos reduziram temporariamente o calendário de 2026 para 22 etapas.
No entanto, a categoria encontrou uma solução para preservar o GP do Bahrain. No último fim de semana, a F1 anunciou que a corrida será disputada na Malásia entre 2 e 4 de outubro.
O evento formará uma rodada tripla com os GPs do Azerbaijão e de Singapura. Ainda assim, a prova manterá oficialmente a denominação de GP do Bahrain.
Com essa alteração, o calendário voltou a contar com 23 corridas programadas. Enquanto isso, os GPs do Catar e de Abu Dhabi permanecem previstos para 29 de novembro e 6 de dezembro, respectivamente.
As duas etapas também formariam uma rodada tripla com o GP de Las Vegas, marcado para 21 de novembro. Contudo, a continuidade do conflito mantém o futuro das provas no Oriente Médio em aberto.
A situação voltou a gerar preocupação na terça-feira, 28 de julho. Na ocasião, o Comando Central dos Estados Unidos, conhecido como CENTCOM, informou que o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã lançou um ataque com mísseis contra forças americanas.
O episódio encerrou um período recente de redução das hostilidades. Consequentemente, a instabilidade do processo de paz voltou a aumentar as dúvidas sobre a realização das corridas.
Por isso, ainda não está claro se a F1 correrá no Oriente Médio em 2026. Apesar da incerteza, a categoria pretende aguardar o máximo possível antes de tomar uma decisão.
Segundo Domenicali, a F1 acompanhará a evolução da situação durante as próximas semanas. Depois disso, a organização avaliará se poderá manter Catar e Abu Dhabi no calendário.
“A forma como estamos estruturados é aproveitar o máximo de tempo possível para observar como a situação vai evoluir. Então, tomaremos a decisão no momento certo”, declarou Domenicali a um grupo de jornalistas.
“Esse momento não será antes de meados de setembro. Portanto, hoje as corridas no Catar e em Abu Dhabi estão confirmadas e já tiveram todos os ingressos vendidos. Esse é um sinal incrível de como o esporte é maior do que os problemas que o nosso mundo enfrenta”.
“Naturalmente, se a situação não estiver clara da forma que acreditamos ser necessária antes de meados de setembro, tomaremos uma decisão. Caso não seja possível correr no Oriente Médio, o fim da temporada será na Europa porque não podemos ir para outros lugares”.
Nesse contexto, Imola e Portimão surgiram como possíveis alternativas. Os dois circuitos poderiam entrar no calendário caso a F1 precisasse substituir as etapas do Oriente Médio.
Entretanto, Domenicali evitou confirmar qualquer escolha. Embora reconheça que existem possibilidades em análise, o dirigente não pretende antecipar decisões.
“Sei que existem algumas possibilidades em discussão, mas não considero correto fazer promessas ou antecipar determinadas situações. Essa é a situação atual”.
“Mesmo que eu realmente espere que isso não aconteça, se a situação não permitir que estejamos no Catar e em Abu Dhabi, terminaremos o campeonato na Europa”.
Dessa forma, a F1 continuará avaliando os cenários disponíveis. Contudo, a categoria não anunciará mudanças antes do prazo estabelecido