Folha de rascunho da Redação do Enem. — Foto: Emily Santos/g1
A menos de três meses para o primeiro dia de provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026, é hora de dar mais atenção à redação e considerar a variedade de temas possíveis para a edição. Este é o conselho de professores ouvidos pelo g1.
Para isso, é importante que o estudante consuma informações de fontes variadas e se mantenha atualizado sobre as principais notícias do país, especialmente aquelas com uma forte ligação social.
Uma atividade que pode ajudar o aluno a se preparar é treinar a redação com base em temas que não apareceram nas edições mais recentes e, portanto, têm mais chances de aparecer neste ano.
Professores explicam que a tarefa tem menos o objetivo de prever o tema (que historicamente é definido entre os meses de junho e julho), e mais preparar o aluno para o formato esperado, além de permitir uma oportunidade de verificar seu repertório cultural.
Pensando nisso, o g1 lista abaixo 7 opções de temas que vão ajudar neste exercício e podem (por que não?) aparecer eventualmente no exame.
Para Ademar Celedônio, um tema possível para a redação do Enem 2026 é “Desafios para a proteção de crianças e adolescentes nos ambientes digitais brasileiros”. O assunto ganhou destaque com a aprovação do ECA Digital, em 2025, e a entrada em vigor da nova legislação neste ano.
Daniel Bravo, professor de redação do Cubo Global School, também aposta no tema como uma das possibilidades para a edição. Ele destaca que as redes sociais, assim como plataformas de jogos, utilizam mecanismos de engajamento que favorecem o uso excessivo, o que pode ocasionar problemas como dependência.
Os especialistas dizem que o tema abre portas para discorrer sobre novas leis e discussões sobre responsabilidade de plataformas, e discutir a urgência e atualidade da educação digital.
Com o sucesso da Copa do Mundo de Futebol masculino em 2026 e a iminência da edição feminina da competição, que será sediada no Brasil em 2027, Ávila Oliveira, professor de redação do Colégio Unificado, acredita que haja espaço para que o Enem discuta não só a competição, mas também outras modalidades esportivas.
“Mais do que uma atividade competitiva, o esporte contribui para a saúde, fortalece vínculos e pode ampliar as oportunidades oferecidas a crianças e adolescentes. Uma proposta de redação sobre o assunto poderia abordar a dificuldade de acesso às práticas esportivas, o esporte como instrumento de inclusão social ou a saúde mental dos atletas”, avalia.
Segundo ele, seria uma oportunidade para os alunos dissertarem sobre as dimensões sociais, culturais e humanas do esporte e utilizarem como repertório filmes e documentários como "Pelé".
Atacante espanhol Ferran Torres comemora gol contra a Argentina na final da Copa do Mundo — Foto: Reuters/Kai Pfaffenbach
Outro tema atual e muito relevante é a discussão sobre eventos ambientais e ecológicos, e a preservação (ou degradação) do meio ambiente. O assunto chegou a ser apontado como possibilidade para a edição de 2025 do exame, especialmente com a realização da COP 30 no Brasil, mas não se confirmou.
Apesar disso, o tema segue em destaque e, segundo Ademar Celedônio, é o gancho perfeito para refletir sobre como eventos climáticos extremos e o desmatamento da Amazônia mostram como eventos extremos e degradação ambiental atingem, sobretudo, as populações mais vulneráveis.
Alguns ganchos possíveis são a prevenção de desastres e sistemas de alerta, o planejamento urbano e a fiscalização de áreas de risco, a adaptação das cidades aos eventos climáticos extremos, o combate ao desmatamento e às queimadas, entre outros.
“A inteligência artificial já faz parte da rotina dos estudantes e vem alterando profundamente a educação, o mercado de trabalho e a circulação de informações. No Enem, a discussão pode se concentrar no uso da IA na aprendizagem, nas transformações profissionais ou na produção de conteúdos falsos”, sugere Ávila Oliveira.
O professor acredita que o tema já está presente no cotidiano brasileiro, e que as discussões jurídicas, éticas e morais acerca do uso de ferramentas de IA em diversos contextos reforçam a relevância do recorte.
Logotipo da OpenAI em um celular diante de uma imagem gerada pelo DALL·E, ferramenta de criação de imagens do ChatGPT. — Foto: Michael Dwyer/AP
Para estudar o tema, ele sugere que os alunos se familiarizem com filmes, séries e documentários sobre tecnologia, como "O Dilema das Redes", e acompanhem reportagens que discutam os impactos sociais da inteligência artificial