O piloto seleciona os modos disponíveis e adapta sua tocada

A IA não manda num carro de Fórmula 1 nem decide autonomamente, durante uma volta, quando o piloto receberá potência elétrica. Contudo, existe uma explicação muito mais interessante por trás dessa aparente contradição.

O assunto surgiu no Loucos por Automobilismo desta terça-feira. Durante o programa, Adauto Silva explicou que a IA pode participar do desenvolvimento dos mapas utilizados pelas equipes. Entretanto, ela não fica dentro do carro tomando decisões novas e reprogramando a unidade de potência durante a corrida.

“A IA é antes, não na hora”, resumiu Adauto no Loucos.

Essa definição separa três coisas que frequentemente aparecem misturadas: inteligência artificial, algoritmos de gerenciamento e mapas previamente programados.

Antes de cada GP, as equipes realizam milhares de simulações para descobrir a melhor forma de utilizar a energia disponível. Elas analisam o traçado, as retas, as curvas, os pontos de ultrapassagem, a recuperação elétrica e o consumo de combustível.

Nesse processo, ferramentas de inteligência artificial e aprendizado de máquina podem ajudar a encontrar combinações eficientes. No entanto, engenheiros e pilotos avaliam os resultados antes de qualquer configuração chegar ao carro.

Portanto, a equipe não precisa aceitar automaticamente aquilo que a ferramenta sugeriu. Ela pode alterar, combinar ou simplesmente descartar uma solução.

Os engenheiros também refinam essas configurações durante o fim de semana. Os dados dos treinos livres mostram a aderência real, o desgaste dos pneus, o comportamento do carro e a quantidade de energia recuperada.

Consequentemente, novos ajustes podem surgir depois do TL1 ou do TL2. Em alguns casos, a equipe prepara uma configuração específica para a tocada de determinado piloto.

Foi justamente isso que uma fonte do Autoracing dentro da Mercedes revelou sobre o trabalho de Kimi Antonelli com seu engenheiro Peter Bonnington, o Bono.

Quando o engenheiro pede pelo rádio “strat 2”, “strat 5” ou outra posição, normalmente está indicando uma configuração no seletor de estratégia do volante.

Embora possamos chamá-la simplesmente de mapa, uma “strat” pode envolver um conjunto maior de parâmetros. Entre eles estão entrega de potência, recuperação elétrica, consumo, temperaturas e comportamento da unidade de potência.

O piloto pode selecionar essas configurações durante a volta. Além disso, dispõe de recursos específicos, como o botão de boost para atacar ou defender.

Entretanto, ele não escolhe manualmente, metro por metro, quando o MGU-K começa a entregar ou deixa de entregar energia. Depois da seleção do modo, o software executa automaticamente a estratégia programada.

Para isso, a central considera informações do próprio carro, como velocidade, marcha, posição do acelerador, carga da bateria e ponto da pista.

Em outras palavras, existe uma execução automática em tempo real. Porém, isso não significa que uma inteligência artificial esteja criando decisões novas ou modificando livremente o carro enquanto ele circula.

Oscar Piastri explicou esse problema durante a entrevista oficial da FIA antes do GP da Hungria. Segundo o piloto da McLaren, a importância da eletricidade tornou qualquer diferença na programação muito mais perceptível em 2026.

“Não temos controle sobre onde acontece a entrega de energia, mais ou menos. Você pode apertar o botão de boost, mas ele serve mais para ultrapassagens”, afirmou Piastri.

Depois, perguntaram se ele às vezes se sentia passageiro de um programa de inteligência artificial ainda em aprendizado