No fim das férias de verão de 2025, Max Verstappen estava 109 pontos atrás do líder do campeonato. A desvantagem parecia grande demais para ser revertida, mas o holandês conseguiu reduzir praticamente toda a diferença até o fim da temporada e terminou o ano como vice-campeão.
Em 2026, Verstappen entra na pausa de verão com 109 pontos, enquanto Andrea Kimi Antonelli lidera o Mundial com 219. A diferença é de 110 pontos, apenas um a mais do que a enfrentada no mesmo momento da temporada passada.
Os números levantam uma pergunta inevitável: Verstappen ainda pode sonhar com o título?
Olhando apenas para a classificação, a resposta parece simples. Afinal, o próprio Verstappen mostrou há um ano que uma desvantagem superior a 100 pontos pode ser reduzida.
Mas a Fórmula 1 raramente é decidida apenas pelos números.
Na temporada passada, a Red Bull evoluía rapidamente.
Mesmo começando o campeonato atrás da McLaren, Verstappen venceu o GP do Japão já na terceira etapa e voltou ao topo em Ímola antes das férias de verão. A equipe encontrava desempenho praticamente a cada pacote de atualizações.
Ao mesmo tempo, a McLaren tinha outro desafio: administrar a disputa entre Oscar Piastri e Lando Norris.
Os dois dividiam vitórias e pontos durante boa parte do campeonato, algo que acabou favorecendo Verstappen na classificação. Enquanto um dos pilotos da McLaren perdia pontos para o companheiro de equipe, o holandês conseguia reduzir a diferença gradualmente.
A Red Bull também mostrou evolução nesta temporada, mas em um ritmo muito menor.
O primeiro pódio de Verstappen só aconteceu na quinta etapa, no Canadá, com um terceiro lugar. Seu melhor resultado veio apenas na oitava corrida, na Áustria, quando terminou em segundo.
Depois disso, voltou ao pódio com um terceiro lugar na Bélgica e repetiu a segunda posição na Hungria, conquistando dois pódios consecutivos pela primeira vez no ano.
Os resultados indicam que o RB22 finalmente começou a responder às atualizações introduzidas nas últimas corridas.
A evolução fica ainda mais evidente quando comparada ao início da temporada.
Na Austrália, Verstappen não conseguiu sequer avançar ao Q3. No Japão, reclamou do equilíbrio do carro e afirmou que não conseguia atacar as curvas. Em Mônaco abandonou por um problema na unidade de potência.
Na Grã-Bretanha, voltou a abandonar após uma nova falha na asa traseira, chegando a dizer que só queria "ir para casa e não pensar em Fórmula 1".
Mesmo após o pacote de atualizações introduzido na Áustria, Verstappen seguiu cauteloso.
Antes da Hungria, afirmou que a Red Bull estava em uma trajetória de crescimento, mas admitiu que ainda não sabia quando voltaria a vencer. Após terminar em segundo no Hungaroring, classificou o resultado como inesperado e definiu a corrida como uma "prova de sobrevivência".
Se em 2025 a McLaren dividia pontos entre seus dois pilotos, em 2026 Verstappen enfrenta um cenário ainda mais complexo.
Antonelli lidera o campeonato com uma Mercedes consistente durante praticamente toda a temporada. A Ferrari cresceu nas últimas etapas e colocou Lewis Hamilton definitivamente na disputa pelo título, enquanto Charles Leclerc voltou a disputar vitórias. George Russell também permanece constantemente entre os primeiros colocados