"O Flamengo não tem dinheiro infinito". A frase do diretor de futebol José Boto, no fim de junho, era um indicativo de como o Rubro-Negro se portaria nesta janela de transferência. O clube impôs limites e deu um recado ao mercado, mas a tranquilidade de outrora na busca por reforços se tornou pressão após negociações frustradas.

O Fla não entrou em leilão pelo meia argentino Almada, que está perto do River Plate, e travou as conversas por Luiz Henrique após o Zenit aumentar a pedida inicial para a venda — uma diferença de 10 milhões de euros, em torno de R$ 58,8 milhões. Horas mais tarde, o estafe do atacante avisaria que a tratativa estava encerrada por uma "série de acontecimentos que dificultaram o andamento do negócio".

Em comum nos dois movimentos: o pé no freio do clube após mudanças ou reavaliações quanto a valores vindos da outra ponta, e a análise sobre o custo-benefício de dar continuidade às conversas.

Com os (badalados) nomes de desejo mais longe da Gávea, a cúpula, agora, busca alternativas que possam suprir as carências apontadas pelo técnico Leonardo Jardim: um meia, um ponta e um centroavante.

O Flamengo não tem dinheiro infinito. (...) É óbvio que temos necessidades, mas não queremos gastar mais do que é devido, queremos acertar o máximo possível.José Boto, em 30 de junho

Enquanto isso, a janela, que era tratada de forma mais serena, se transformou em pedra no sapato neste reinício de temporada. Sem reforços até aqui, Leo Jardim estuda melhorias no time após os empates com São Paulo e Internacional, que fizeram o Palmeiras ampliar a distância na luta pelo título do Brasileiro.

Um grupo de torcidas organizadas do Flamengo, na última quinta-feira, emitiu uma nota em tom de cobrança ao diretor e ao treinador. "Jardim e Boto, mais do que nunca, são responsáveis diretos pelo caminho a ser trilhado no restante da temporada", diz trecho do texto.

A intenção de ter um meia com "características diferentes das de Arrascaeta e Carrascal" havia sido exposta por Jardim após o jogo contra o Coritiba, último antes da paralisação para a Copa. Já no retorno, o comandante aumentou o tom sobre a urgência na chegada de reforços, explicando a necessidade de um ponta com características específicas.

Já falei sobre a importância de ter jogadores técnicos e com velocidade de execução na parte da frente, principalmente para essas equipes que começam a baixar os blocos e têm linhas de cinco mais quatro. Temos de ter jogadores criativos, com velocidade e que desequilibram. Hoje, só o Arrascaeta e o Lino, pontualmente, conseguiram esses movimentos. Outros jogadores não conseguiram.Leonardo Jardim

Como evidenciado pelo próprio treinador, a chegada de novos nomes tem ligação com o fato de a comissão buscar fazer o time encaixar em estilo de jogo diferente do proposto no início da temporada, ainda sob comando de Filipe Luís.

O Flamengo sob o comando do presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap, já ultrapassou a marca de R$ 1 bilhão para contratar e manter jogadores no elenco. O levantamento foi feito com base em números usados pelo clube nos balanços financeiros.

Em um ano e meio de gestão, Bap já chancelou uma movimentação que atingiu R$ 1,13 bilhão. Nesse montante estão inseridos custos com direitos econômicos, luvas e intermediação, que é o método registrado pelo Flamengo nos documentos publicados.

O Rubro-Negro tem sustentado a engrenagem com movimento crescente de receitas ao longo dos últimos anos. Em 2025, com o impulso da participação no Mundial de Clubes e os títulos de Libertadores e Brasileirão, o clube faturou R$ 2 bilhões.

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