Com a saída de Esteban Ocon da Haas em 2027, a esperança tomou o Brasil - Rafael Câmara pode ser o substituto e se unir a Gabriel Bortoleto como os dois brasileiros no grid da Fórmula 1.

O pernambucano de 21 anos apoiado pela Ferrari e integrante da Academia de Pilotos da escuderia italiana lidera a Fórmula 2 e ganhou força nos bastidores justamente no momento em que a equipe americana se aproxima de uma decisão sobre sua dupla para 2027.

Caso seja confirmado, ele se tornará o próximo brasileiro no grid e poderá fazer história como o primeiro piloto nordestino a disputar oficialmente uma corrida de Fórmula 1.

A vaga surgiu após Esteban Ocon anunciar que deixará a Haas no fim de 2026, depois de duas temporadas na equipe. O francês chegou ao time americano em 2025 e teve como melhor resultado um quinto lugar no GP da China daquele ano.

Com a saída confirmada, a Haas avalia nomes para compor sua dupla em 2027, e entre os candidatos estão Rafael Câmara, Leonardo Fornaroli, atual campeão da Fórmula 2, e Ryo Hirakawa, bicampeão do Mundial de Endurance e vencedor das 24 Horas de Le Mans.

Câmara, no entanto, aparece em posição de destaque. O brasileiro foi testado pela Haas em atividades com carros antigos e também deixou boa impressão em avaliações feitas com a Ferrari, equipe à qual está ligado por meio da academia de jovens pilotos.

Aos 21 anos, o recifense vive uma temporada de afirmação na Fórmula 2, sendo que na última semana, assumiu a liderança do campeonato no Azerbaijão e reforçou o discurso de que está pronto para dar o salto à Fórmula 1.

Se for confirmado pela Haas e largar em um Grande Prêmio, Rafael Câmara será o primeiro nordestino a disputar oficialmente uma corrida de Fórmula 1. O feito teria peso simbólico para o automobilismo brasileiro, historicamente concentrado em nomes do Sudeste, especialmente de São Paulo.

O Brasil já teve campeões mundiais, vencedores de corridas, pilotos de longa trajetória e jovens que chegaram à categoria por diferentes caminhos, mas nunca teve um nordestino efetivamente no grid de largada de um GP oficial.

Antes de Rafael Câmara, o nome nordestino que mais chegou perto da Fórmula 1 foi Luiz Razia. Natural de Barreiras, na Bahia, o piloto foi vice-campeão da GP2 e chegou a ser anunciado como titular da Marussia para a temporada 2013.

Na época, Razia faria dupla com Max Chilton e se tornaria o primeiro nordestino a competir na Fórmula 1. O acordo, porém, não se concretizou até o início do campeonato, porque problemas ligados ao patrocínio fizeram o contrato ser rescindido antes que ele disputasse uma corrida oficial.

Razia chegou a participar de testes na categoria, inclusive com a Force India, mas nunca largou em um Grande Prêmio. Por isso, ocupa um lugar particular na memória do automobilismo brasileiro: o piloto que esteve praticamente dentro da F1, mas acabou impedido de transformar o anúncio em estreia.

A chance de Rafael Câmara surge pouco depois de o Brasil encerrar um jejum importante na Fórmula 1. Gabriel Bortoleto devolveu o país ao grid em 2025, inicialmente pela Sauber, equipe ligada ao projeto da Audi.

Bortoleto chegou à categoria depois de uma ascensão rápida nas categorias de base, sendo campeão da Fórmula 3 em 2023 e da Fórmula 2 em 2024, tornando-se um dos principais jovens talentos do automobilismo internacional.

O brasileiro é o primeiro piloto do país a competir em tempo integral na categoria desde Felipe Massa, em 2017. Em 2026, Bortoleto já aparece consolidado como representante brasileiro no grid e foi confirmado pela Audi para 2027 ao lado de Nico Hülkenberg.

Antes de Bortoleto, o último brasileiro a disputar uma temporada completa de Fórmula 1 havia sido Felipe Massa. O paulista encerrou sua trajetória na categoria em 2017, pela Williams, depois de uma carreira marcada por vitórias, disputa de título e longa passagem pela Ferrari.

Massa estreou na F1 em 2002, pela Sauber, e chegou à Ferrari em 2006. Na equipe italiana, viveu o auge da carreira, foi companheiro de Michael Schumacher, Kimi Räikkönen e Fernando Alonso, venceu corridas importantes e brigou pelo título mundial de 2008 até a última curva do GP do Brasil.

Naquele ano, Massa venceu em Interlagos e chegou a ser campeão por alguns segundos, até Lewis Hamilton ultrapassar Timo Glock e garantir os pontos necessários para ficar com o título, gerando uma cena que virou uma das imagens mais emblemáticas da história recente da Fórmula 1.

Depois da Ferrari, Massa ainda correu pela Williams, onde permaneceu até 2017. Sua aposentadoria abriu um jejum de brasileiros em temporadas completas da categoria, interrompido apenas com a chegada de Gabriel Bortoleto.

A história do Brasil na Fórmula 1, no entanto, começou muito antes de Massa, Bortoleto ou Câmara. O país tem oito títulos mundiais de pilotos, conquistados por três nomes: Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet e Ayrton Senna