As novas regras do futebol, já aplicadas na Copa do Mundo masculina, entrarão em vigor também no Brasil. A maioria é voltada a aumentar o tempo de bola rolando, combatendo a cera e o mau comportamento dos jogadores.
Entre elas, cinco segundos para bater lateral e tiro de meta, dez segundos para sair do campo em substituições e um minuto fora de jogo depois de atendimento médico (inclusive no caso dos goleiros, saindo um companheiro de linha). Passam a valer também o Protocolo Vini Jr., que expulsa direto quem cobrir a boca em discussão com adversário, e a revisão do segundo amarelo pelo VAR.
Todas as regras tendem a beneficiar o esporte. O problema é que ele continuará sendo protagonizado por homens que, francamente, andam descontrolados. Os jogadores reclamam de todas as marcações. Os treinadores dão chilique toda vez que se sentem contrariados. Os árbitros sofrem para aplicar critérios compreensíveis, diante de uma pressão desproporcional à importância de sua profissão. É um caldeirão de destempero, pronto para explodir.
Quem acompanha o futebol feminino sabe que a histeria não é parte inerente da modalidade. A arbitragem marca, as atletas se levantam e quem rola no chão é a bola. Não sentem a necessidade, ou a liberdade, de reclamar o tempo todo. O masculino, por outro lado, precisa de cada vez mais normas para tentar garantir o que deveria ser básico: respeito pelo jogo e pelos colegas.
Sim, haverá agora menos incentivo para quem quiser picotar as partidas e ofender os amiguinhos. Mas um monte de gente sem estabilidade emocional vai, eventualmente, dar um jeito de burlar o regulamento e continuar a dar piti. Terapia e educação, explorando as raízes por trás de tanta cólera, fariam uma diferença bem maior no longo prazo. Dentro e fora de campo.
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