Fora do futebol profissional desde maio, quando encerrou um ciclo de dez anos no comando do Manchester City, Pep Guardiola vive um período de reflexão sobre os rumos da carreira e da vida pessoal. Aos 55 anos, o treinador admitiu que pode não retornar aos bancos de reservas, priorizando um momento de descanso e reorganização após dramas recentes fora de campo.
As revelações vieram a público no documentário 'A Beautiful Obsession', da Amazon. Na produção, o técnico abriu o jogo sobre a necessidade de se afastar dos holofotes para buscar novos interesses pessoais antes de qualquer decisão profissional.
— Eu nem sei o que vou fazer. Será difícil voltar. Esse é o meu sentimento hoje. Preciso renovar muitas coisas que aconteceram na minha vida pessoal.
— Preciso me encontrar um pouco em coisas diferentes. Preciso sentar e me desligar por um tempo. Esse é um dos principais objetivos.
Entre as passagens expostas, Guardiola relembrou o término da união de uma década com Cristina Serra, com quem tem três filhos. A separação ocorreu em dezembro de 2024. Em um momento de cobrança ao elenco do Manchester City no vestiário, logo após um tropeço da equipe, o comandante usou o próprio divórcio como lição sobre a falta de entusiasmo.
— Eu estou divorciado da mulher mais bonita do planeta. É minha esposa, minha ex-esposa. Eu a amo incrivelmente. Mas perdemos a paixão.
— Na sua vida, qualquer coisa que você faça, faça com paixão. Eu não quero bons jogadores, quero jogadores com paixão.
A decisão de dar um tempo nos trabalhos recebe o apoio de pessoas próximas, como Txiki Begiristain. Ex-diretor de futebol do clube inglês e parceiro de trabalho do treinador por nove anos, ele reforça a importância de uma rotina sem as pressões do esporte de alto rendimento.
— Você pode perder por 3 a 0, mas a vida continua e existem momentos incríveis que você pode viver com seus amigos.
— Se ele encontrar apenas pessoas do futebol e o futebol for tudo o que conhece, ele vai continuar na mesma montanha-russa em que viveu. Ele precisa de tempo para sair disso e estar realmente fora.
Apesar da disposição em se afastar, o próprio espanhol reconhece a força que a rotina à beira do gramado exerce sobre sua vida, o que deixa o futuro em aberto.
— É a alegria e o prazer de ver meu time jogar bem. Esse é o lema e o objetivo quando acordo todos os dias. É tão viciante. Treinadores mais velhos se aposentam e querem voltar, e depois voltar novamente. Eles não conseguem viver sem isso.
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