Christian Horner revelou que os acionistas da Red Bull entraram em contato com ele após a primeira vitória do motor Red Bull Ford Powertrains na Fórmula 1, conquistada por Max Verstappen no GP do Bahrain na Malásia.
O ex-chefe da equipe também recebeu uma ligação de Oliver Mintzlaff, CEO da empresa, que agradeceu por sua contribuição ao projeto.
Horner comandou a Red Bull desde a chegada da marca à F1, em 2005, até sua demissão em julho de 2025. Durante esse período, liderou a equipe em oito títulos mundiais de pilotos e seis campeonatos de construtores.
Além disso, o britânico supervisionou uma das maiores transformações da história da equipe: a passagem de cliente para fabricante de motores. A iniciativa ganhou força após a Honda anunciar sua saída da categoria no fim de 2021.
A Red Bull continuou utilizando os motores japoneses até 2025. Entretanto, em 2026, estreou sua própria unidade de potência, desenvolvida em parceria com a Ford.
O projeto conquistou a primeira vitória no GP do Bahrain na Malásia com Verstappen, que venceu novamente uma semana depois em Singapura.
“Conseguimos fazer isso no lado do chassi. Então, surgiu o desafio: conseguiríamos fazer o mesmo com o motor?” relatou Horner durante uma conferência do Autosport Business Exchange em Nova York.
“Precisávamos de um motor depois que a Honda anunciou sua saída em 2020. Por isso, criamos essa empresa do zero, a Red Bull Powertrains, com a mesma filosofia: atrair talentos, dar oportunidades às pessoas, confiar nelas e incentivá-las a ultrapassar os limites”.
Horner afirmou que sente muito orgulho ao acompanhar a evolução do projeto e os resultados alcançados nesta temporada.
O ex-chefe da Red Bull considerou a ligação dos dirigentes um gesto importante, principalmente pelo esforço necessário para desenvolver uma unidade de potência competitiva.
“Foi um gesto que apreciei. Ver aquele motor e saber tudo o que foi necessário para chegar até aqui, todo o suor e as lágrimas ao longo do caminho, significa muito”, afirmou.
“Para todos os homens e mulheres envolvidos, foi uma conquista extraordinária. Eles conseguiram vencer um GP na 16ª tentativa, algo muito difícil mesmo nas melhores circunstâncias”.
Horner também agradeceu aos acionistas da Red Bull e a Mintzlaff pelo contato. No entanto, destacou que a ligação do CEO teve um significado bastante diferente daquele de uma conversa ocorrida cerca de 15 meses antes.
“Fiquei muito grato aos dois acionistas que entraram em contato, assim como a Oliver Mintzlaff, que também me ligou para agradecer. Foi uma ligação bastante diferente daquela que recebi dele 15 meses antes”, comentou.
O britânico se referia justamente ao telefonema que antecedeu sua demissão. Naquele período, sua posição dentro da empresa havia se tornado cada vez mais frágil, especialmente após a morte de Dietrich Mateschitz, cofundador da Red Bull.
Horner reconheceu que a saída de cena de Mateschitz no fim de 2022 provocou mudanças inevitáveis na estrutura de poder da empresa. Segundo ele, o empresário exercia influência decisiva sobre as grandes decisões do grupo.
“Eu sentia que as coisas estavam mudando. Nada permanece igual para sempre, e depois que o fundador Dietrich Mateschitz infelizmente faleceu no fim de 2022, era inevitável que a empresa evoluísse e passasse por mudanças”, explicou.
“Dietrich era a Red Bull. Ele era a força por trás de tudo e tomava todas as grandes decisões. Substituir alguém assim é impossível”.
Com a evolução da estrutura corporativa, Horner percebeu uma tentativa de concentrar mais controle na sede da empresa. Essa abordagem, segundo ele, contrastava com a autonomia que a Red Bull Racing desfrutava em Milton Keynes.
O britânico fez questão de ressaltar que não considerava a nova direção necessariamente certa ou errada. Entretanto, entendia que ela se afastava do modelo que havia permitido à equipe alcançar tantos resultados expressivos