Christian Horner revelou que estava infeliz na Red Bull mesmo durante o período de domínio da equipe na Fórmula 1. Em entrevista ao podcast High Performance, o britânico explicou que as vitórias já não compensavam o desgaste interno. Além disso, expôs sua decepção com Helmut Marko, que havia ficado em sua casa poucos dias antes de participar da reunião que encerrou sua passagem pela equipe.

O relato combina o sofrimento pessoal com os bastidores da disputa de poder nos Touros. Segundo Horner, a insatisfação começou antes das acusações de comportamento inadequado que vieram a público em 2024.

“É quase como chegar ao topo da montanha e perceber que não há nada lá”, afirmou.

Segundo Horner, sua esposa, Geri, percebeu o contraste entre os resultados nas pistas e seu estado emocional. Enquanto a Red Bull acumulava vitórias, ele voltava para casa frustrado com as disputas que consumiam sua atenção.

“Houve um período em que estávamos vencendo muito, e ela disse: ‘Nunca vi você tão infeliz’”, contou.

Inicialmente, o entrevistador associou essa situação às acusações de 2024. Entretanto, Horner o corrigiu imediatamente: o desgaste havia começado muito antes.

O ex-chefe apontou a morte de Dietrich Mateschitz, em outubro de 2022, como uma mudança decisiva. O fundador era o centro de referência da organização. Assim, sua ausência abriu espaço para uma reorganização das relações de poder.

Como o Autoracing já publicou sobre os motivos apresentados por Horner para sua demissão, ele considera essa transformação fundamental para entender o fim de sua trajetória na equipe.

Horner afirmou que recebeu novas responsabilidades antes da temporada de 2023. Elas incluíam o marketing da segunda equipe e participação na definição de sua liderança, com Laurent Mekies e Peter Bayer.

Porém, segundo ele, esse aumento de influência desagradou a setores da organização. Consequentemente, mesmo durante uma temporada em que os Touros perderam apenas uma corrida, havia pressão e resistência nos bastidores.

“Em vez de conseguir focar apenas nas corridas, sua energia e sua concentração acabam consumidas por outros elementos, outras relações e pela política”, explicou.

Além disso, Horner reconheceu que tratava a estrutura como se fosse sua própria equipe. Para ele, isso significava proteger os funcionários e cuidar dos recursos. Entretanto, essa identificação também ajuda a compreender a disputa sobre seu protagonismo.

O Autoracing já abordou a justificativa que ele ouviu ao sair: a percepção de que a organização havia se tornado mais “Christian Horner Racing” do que Red Bull Racing.

Segundo Horner, Geri percebeu uma mudança no ambiente durante o GP da Áustria de 2025. Na avaliação dela, a maneira como as pessoas se comportavam indicava que algo estava prestes a acontecer.

“Acho que alguma coisa vai acontecer. Eles não querem mais você. Não valorizam você”, teria dito, segundo o relato do britânico.

Questionado sobre sua reação ao aviso, Horner admitiu que reconhecia os sinais, embora não quisesse encará-los.

“Eu sabia que ela estava certa. Mas não queria ouvir”, declarou.

Portanto, a reunião que definiu sua saída não surgiu em um ambiente de completa normalidade. O próprio Horner reconhece que já percebia a deterioração das relações.

O episódio mais incômodo envolve Helmut Marko. Durante o fim de semana do GP da Inglaterra, Horner recebeu dirigentes e pilotos das duas equipes em sua casa. Marko estava entre os convidados e também ficou hospedado no local.

Pouco depois, Horner recebeu uma mensagem pedindo uma reunião em Londres. Segundo ele, a convocação parecia tratar de marketing e de uma possível transferência de responsabilidades para a Áustria