Presidente fez comparação com o futebol ao defender profissionais de IA no país, em vez de perdê-los para o exterior

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta 3ª feira (11.ago.2026), que o Brasil precisa criar condições para manter no país os profissionais formados na área de inteligência artificial. Em uma comparação com o futebol, disse que não quer “vender” os talentos brasileiros para empresas estrangeiras.

“Porque vocês vieram aqui dizer o seguinte: é possível. Nós temos condições, nós temos inteligência, nós temos gente preparada e não vamos. Não vamos vender para o Real Madrid, não vamos vender para o Barcelona, vamos deixar jogando no Corinthians”, afirmou Lula durante reunião no Palácio do Planalto sobre inteligência artificial.

O presidente estendeu a comparação a outros clubes brasileiros. Disse que os profissionais também deveriam permanecer em equipes como Ponte Preta, Bragantino, Botafogo e até clubes de várzea.

A declaração foi depois de Lula ouvir especialistas sobre a capacidade brasileira de desenvolver inteligência artificial. Entre os temas discutidos estavam infraestrutura computacional, uso de dados nacionais, formação de profissionais e criação de oportunidades de trabalho.

Antes da fala de Lula, especialistas haviam apontado a perda de profissionais qualificados para empresas estrangeiras como um dos desafios para o desenvolvimento da IA no Brasil.

A ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, comparou a saída de especialistas brasileiros de tecnologia para o exterior à transferência de jovens jogadores de futebol para clubes estrangeiros.

“O Brasil tem uma capacidade de formação muito grande, gera talentos importantes, mas tem que tomar cuidado para que a gente não perca esses talentos”, afirmou.

Para ela, a criação de oportunidades de trabalho no país é necessária para manter profissionais formados no Brasil. Esther também disse que o país vive uma mudança de escala e que a inteligência artificial atinge diferentes setores da economia.

Lula disse que o objetivo não é colocar o Brasil em uma disputa direta com China e Estados Unidos, mas aproveitar as capacidades que o país já possui.

O presidente citou áreas como agricultura, saúde e energia como setores nos quais o Brasil possui grandes bases de dados e conhecimento acumulado.

Também defendeu investimentos em supercomputadores, data centers e infraestrutura de energia para sustentar o desenvolvimento da IA.

O encontro, porém, não terminou com medidas concretas. Lula indicou que a prioridade agora é transformar a agenda em decisões. “Essa reunião de hoje que vocês participaram é o começo definitivo; nós vamos entrar na era da inteligência artificial. Não tem mais volta”, declarou o petista