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Nos últimos anos, a Liga saudita assumiu-se como uma potência no mercado de transferências difícil de seguir. Mas a estratégia vai mudar. Al Nassr e Al-Ittihad estão à venda e nem o Newcastle escapa.
▲O Al Nassr, de Cristiano Ronaldo e João Félix, venceu a última edição da Liga saudita, mas não escapou às dívidas e está à venda
Nos últimos anos, a Arábia Saudita assumiu-se como uma potência emergente capaz de centralizar o mundo do desporto no Médio Oriente. Foi em território saudita que passaram – e ainda passam, em alguns casos – a Fórmula 1, as Supertaças de Espanha e de Itália, o Campeonato do Mundo de Clubes/Taça Intercontinental, o Dakar e alguns dos grandes eventos de boxe, golfe, ténis e até de corridas de cavalos. Com o investimento do Fundo de Investimento Público (PIF) veio ainda a compra dos quatro maiores do país (Al Nassr, Al Hilal, Al Ahli e Al-Ittihad), que atraiu grandes nomes do futebol mundial para a Saudi Pro League, como Cristiano Ronaldo, Karim Benzema ou Neymar. Para além disso, o PIF comprou o Newcastle, da Premier League, levando-o da metade inferior da tabela classificativa à Liga dos Campeões.
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Dentro de oito anos os olhos do mundo do desporto vão virar-se como nunca para a Arábia Saudita, que vai sediar a fase final do Campeonato do Mundo, seja com 48 ou com 64 seleções, desafio que está ao alcance do país asiático. Contudo, essa aposta surge numa altura em que o PIF está a mudar a sua estratégia, algo que começou por ter impacto no circuito LIV de golfe, cujo financiamento foi cancelado, e se estendeu aos desportos de inverno, já que os sauditas decidiram suspender a construção de pistas de esqui artificiais e de um complexo de luxo para receber os Jogos Asiáticos de Inverno de 2034. O futebol não escapa a essa mudança, com a estratégia a passar por mais “sustentabilidade” e “controlo”, sendo que o foco de crescimento passa pelas infraestruturas.
Apesar de não haver um desinvestimento no futebol, um exemplo da mudança de paradigma passa pelo Al Kholood, clube que compete na Primeira Divisão e que, desde o ano passado, passou a ser detido por um investidor estrangeiro, o norte-americano Ben Harburg. Por outro lado, 70% do Al Hilal passou a ser detido por uma holding de um membro da família real saudita a troco de 400 milhões de euros. Olhando à preparação para a presente temporada, que começa na próxima semana, os clubes do Campeonato principal gastaram menos de 200 milhões até ao momento – 40 milhões dizem respeito à contratação de Francisco Trincão pelo Al Ahli –, ainda que o mercado local esteja aberto até 12 de outubro. Se o rival continua a investir, o mesmo não podem dizer Al-Ittihad e Al Nassr, que precisam de reduzir a sua massa salarial e acumulam uma dívida que passa os 200 milhões.
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Foi devido a isso que, em fevereiro, Ronaldo se insurgiu contra a direção do atual campeão saudita e entrou em greve por conta do tratamento que considerava desigual dado pelo PIF aos seus clubes, com um alegado favorecimento ao Al Hilal e salários em atraso no Al Nassr a virem à tona. O capitão, que ganha 200 milhões por ano, falhou três jogos nesse período. Desde que CR7 chegou à Arábia Saudita, o Al Nassr investiu mais de 400 milhões em contratações e, para 2026/27, vai continuar com João Félix, Kingsley Coman, Sadio Mané, Mohamed Simakan e Iñigo Martínez no plantel, que tem uma massa salarial na ordem dos 450 milhões. Samu Costa também esteve prestes a reforçar a equipa de Riade por 22 milhões, mas o PIF não deu autorização ao Al Nassr, que está impedido de contratar até regularizar a sua situação financeira. O que é certo é que, para já, o PIF está aberto a receber propostas de compra do Al Nassr e do Al Ittihad.
Em termos globais, a Saudi Pro League gastou 974 milhões na temporada 2023/24, verba que baixou para os 614 na época seguinte. No ano passado, foram gastos 786 milhões em contratações, antes da escalada bélica na região. No exterior, também o Newcastle vive dias complicados, com o PIF a desinvestir no clube inglês e a optar por vender os principais jogadores na tentativa de aumentar as receitas. Com as saídas de Anthony Gordon, Sandro Tonali e Bruno Guimarães veio igualmente o adeus a Eddie Howe, que se mostrou desagradado com a nova estratégia dos magpies. A ideia do PIF passa por encontrar um comprador.
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