Cronista esportivo, participou como jogador das Copas de 1966 e 1970. É formado em medicina
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Todos os primeiros jogos das oitavas de finais da Libertadores terminaram empatados. Mistura de equilíbrio e coincidência. Mirassol, Palmeiras e Fluminense empataram em casa, e o Corinthians, na Argentina. Cruzeiro e Flamengo empataram no Mineirão.
O Palmeiras, contra o bom time do Cerro Porteño, mostrou novamente um futebol acelerado, com excesso de bolas longas e cruzamentos para a área. Como o time paraguaio marcava muito atrás, havia pouco espaço para as jogadas em velocidade com Vitor Roque.
O bom centroavante, rápido e raçudo, estava confuso, muito mais do que já é. Andreas Pereira atuou pela direita, muito aberto, usando excessivamente os cruzamentos para a área. Fez falta no meio-campo, deixando Marlon Freitas sozinho.
Apesar das críticas por causa de sua maneira de jogar, o Palmeiras tem tido muito sucesso nos últimos anos. Uma das virtudes do time é a seriedade profissional do clube, da comissão técnica e dos jogadores. A equipe joga toda partida como se fosse a última.
Cruzeiro e Flamengo fizeram uma partida equilibrada, porém abaixo do nível técnico que se esperava. As chances de gol foram poucas. Entendo as razões táticas para as mudanças de jogadores no Flamengo, mas não concordo com as ausências de Pedro, Paquetá e Varela no início da partida.
No Cruzeiro, Gerson, como tem sido habitual, atuou a maior parte do tempo no próprio campo. Ele é bom para iniciar as jogadas por ter um bom passe, mas no campo do adversário é mais brilhante. Para jogar assim, ainda mais com a ausência de Romero, o time precisaria de um armador pelo lado para ajudar na marcação e na construção das jogadas, como acontecia com Christian, negociado. É uma dúvida para o bom técnico Artur Jorge resolver.
O Corinthians, na Argentina, contra o Rosario Central, marcou muito atrás, especialmente no segundo tempo, sofreu enorme pressão, mas conseguiu um empate por 0 a 0, graças às ótimas atuações dos defensores, especialmente do zagueiro Gustavo Henrique nas jogadas aéreas. Em casa, as chances são boas de vitória, embora o time não tenha um ótimo atacante. Yuri Alberto faz muita falta.
Apesar da incompetência, da irresponsabilidade e das promíscuas condutas dos dirigentes ao longo dos últimos anos, o Corinthians ainda luta por títulos. O futebol é um esporte em que as coisas podem mudar rapidamente de pior para melhor ou o contrário, mesmo sem ações concretas. O futebol é muito complexo.
O Fluminense, novamente, teve uma fraquíssima atuação no empate com o Independiente Rivadavia e vai decidir a vaga na Argentina. Luis Zubeldía foi demitido entre dois jogos decisivos. Ele teve ótimos e maus momentos mesmo sem mudar seus conceitos e condutas, com uma boa média de 61,4% de aproveitamento. A diferença são os detalhes que não sabemos bem quando e onde vão ocorrer.
Muitos torcedores, dirigentes e analistas desprezam a importância do imponderável. Acham que tudo o que acontece no jogo, as ações e movimentos dos jogadores, é ou deveria ser planejado, ensaiado. Ignoram também as expectativas fora da realidade e os fatores emocionais presentes durante uma partida. Uma equivocada expectativa costuma ser mais decisiva do que as estratégias e estatísticas.
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