A África do Sul ganhou um novo projeto para tentar levar a Fórmula 1 de volta ao país.
O grupo sul-africano Blue Mountain Racing (BMR) anunciou a aquisição de uma propriedade de 600 hectares na região de Swartland, ao norte da Cidade do Cabo.
O objetivo é desenvolver o local para receber certificações FIA Grau 1 e FIM Grau A, permitindo a realização de corridas de F1 e MotoGP.
A BMR adquiriu o terreno em abril. Além disso, o projeto terá financiamento privado de empresários sul-africanos e integrantes do automobilismo internacional.
Enquanto isso, o planejamento do circuito e de todo o complexo avança. Ao mesmo tempo, a BMR já mantém conversas com a F1 e a MotoGP.
O projeto prevê uma pista com entre 4,5 km e 5,5 km de extensão. A reta dos boxes teria 600 metros, enquanto um trecho de aproximadamente 1 km seria percorrido com o pé cravado. O traçado também incorporaria mudanças de elevação ao longo da volta.
Em vez de apostar em uma corrida de rua temporária, a BMR optou por uma instalação permanente fora da Cidade do Cabo.
Segundo o grupo, dessa forma, a escolha oferece maior liberdade para desenvolver o traçado e ao mesmo tempo evita o trabalho anual de montar e desmontar uma pista urbana.
O circuito seria o centro de um complexo mais amplo. O projeto prevê hotéis, áreas residenciais e comerciais, instalações para conferências, um anfiteatro e um empreendimento à beira-mar.
A proposta também inclui centros de pesquisa e tecnologia automotiva, treinamento de pilotos, programas de capacitação e uma estrutura de formação para o kart.
Enquanto isso, o processo de mudança de zoneamento, as aprovações ambientais e o projeto final devem avançar até 2028. Em seguida, a BMR pretende iniciar a construção em 2029.
Depois da conclusão das obras, o grupo pretende buscar as certificações necessárias da FIA e da FIM. Os primeiros testes de pista estão previstos para o início de 2030. A BMR, por sua vez, planeja realizar seu primeiro GP de F1 no local no ano seguinte.
Neal Froneman, responsável pelo projeto, considera que a projeção internacional da Cidade do Cabo e sua estrutura turística podem fortalecer a candidatura.
“A Cidade do Cabo é atendida por um grande aeroporto internacional, com conexões diretas para a Europa, os Estados Unidos e o Golfo, além de um porto próximo para navios de cruzeiro”, afirmou.
“A cidade oferece hospitalidade de nível mundial e está situada diante do cenário da icônica Table Mountain, das praias deslumbrantes da península e das vinícolas próximas. Esses são ativos que nenhum projetista de circuito poderia criar”.
O projeto da BMR representa, portanto, mais uma tentativa de recolocar a África do Sul no calendário da F1. Atualmente, a África é o único continente habitado que não recebe um GP.
Lewis Hamilton está entre os pilotos que mais defenderam publicamente um retorno da categoria ao continente. No início deste ano, o heptacampeão voltou a manifestar o desejo de disputar um GP na África antes do fim de sua carreira na F1.
“Eu não quero deixar a categoria sem ter um GP lá, sem conseguir correr lá”, disse Hamilton. “Estou cobrando isso. Quando vai acontecer?”
“Eles estão estabelecendo determinadas datas. Eu penso: droga, posso estar ficando sem tempo. Então, vou ficar aqui por um tempo até isso acontecer porque seria incrível, considerando que sou meio africano”.
A África do Sul não recebe um GP desde 1993, quando Kyalami sediou a corrida. Desde então, entretanto, o circuito localizado na região de Joanesburgo permaneceu no centro das iniciativas para trazer a F1 de volta ao país