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Ainda que o mercado tenha esfriado um pouco, os neoclássicos da década de 1990 ainda vivem um momento de valorização. E isso se torna especialmente verdade quando se trata não apenas de um dos esportivos mais icônicos e desejáveis daquela época, mas também de um exemplar famosíssimo: o Honda NSX que pertenceu a Ayrton Senna — mais especificamente, o exemplar vermelho que aparece em uma das fotos mais emblemáticas do tricampeão brasileiro.
Trata-se do chassi T000233, fabricado em 1991 na cor Formula Red com teto preto e interior em couro preto. O carro faz parte de um lote de três NSX disponibilizados pela Honda para uso pessoal do piloto (os outros dois eram pretos). Importado pela Honda Automobil de Portugal e registrado em março de 1991 com a placa SX-25-59, o cupê ficava mantido em Lisboa e era entregue a Senna sempre que ele estava no país para a perna europeia da temporada de Fórmula 1 ou descansando em sua propriedade em Quinta do Lago.
Foi com este chassi que Senna gravou as célebres cenas do documentário Ayrton Senna: Racing Is In My Blood (1992), nas quais aparece destracionando as rodas traseiras ao sair da garagem. Também é este o carro da famosa fotografia em que o piloto aparece de calça jeans e camisa lavando a carroceria com uma mangueira de jardim.
A relação de Senna com o desenvolvimento do NSX é bem documentada: após testar o protótipo em Suzuka em 1989, seu feedback sobre a rigidez do monobloco fez com que os engenheiros da Honda reforçassem o chassi em 50%. A unidade em questão, portanto, não é apenas um carro com registro no nome de uma celebridade, mas um veículo utilizado ativamente pelo piloto que ajudou a calibrar sua dinâmica.
Após a morte de Senna em 1994, o carro permaneceu em Portugal sob custódia da concessionária Nipomotor até ser vendido em 2009. Em 2013, foi adquirido pelo colecionador britânico Robert McFagan e levado ao Reino Unido. Chegou a retornar a Imola em 2019 para uma homenagem pelos 25 anos do acidente, guiado por Giancarlo Minardi, e em 2024 foi comprado por um colecionador em Nagoya, no Japão.
Agora de volta ao Reino Unido, o chassi T000233 será oferecido no The London Auction da RM Sotheby’s em outubro. A estimativa da casa de leilões é que o valor de arremate possa alcançar 800 mil libras (cerca de R$ 5,8 milhões na cotação atual) — um reflexo direto do peso histórico que a combinação entre o chassi certo e o motorista certo exerce no mercado de colecionadores. (Dalmo Hernandes)
A Volkswagen Motorsport da África do Sul se deu um presente bem especial para comemorar seus 75 anos naquele país: um Golf R de 1.000 cv para subidas de montanha. A receita começou com a troca do motor 2.0 EA888 original pelo 2.5 de cinco cilindros do Audi RS3, que teve todo o conjunto reciprocante reforçado e balanceado, ganhou um turbo superdimensionado e uma linha de pressurização toda feita de fibra de carbono. E pra diminuir ao máximo a restrição do escape, ele foi posicionado logo atrás do farol dianteiro.
Como o carro não precisa obedecer a nenhuma regra de homologação, a Volkswagen ainda alargou os para-lamas para acomodar as bitolas muito maiores, um splitter típico dos monstros de hillclimb, e uma asa e difusor igualmente gigantescos na traseira. O sistema de tração também foi redimensionado — infelizmente sem detalhes divulgados pela Volkswagen — e a frenagem fica a cargo de um sistema de competição da AP Racing.
E embora possa parecer apenas um show car, ele já alinhou neste final de semana, e irá disputar a temporada de subida de montanha da África do Sul. (Leo Contesini)
As novas regras de emissões para os carros brasileiros já estão provocando mudanças no mercado. A Volkswagen acaba de anunciar que a linha 2027 do T-Cross terá um novo câmbio automático de oito marchas — O AQ300 da Aisin —, nas versões equipadas com o motor 1.0 Turbo 200TSI.
O motor continua com os mesmos 116 cv com gasolina e 128 cv com etanol e 20,4 kgfm de torque com qualquer um dos dois combustíveis. A principal mudança nas emissões se deve ao escalonamento do câmbio permitido pelas duas marchas adicionais, que consegue manter o motor por mais tempo na faixa ideal de entrega de força e, de quebra, deixou o carro sutilmente mais ágil: o zero-a-cem agora é completado em 10 segundos — meio-segundo mais rápido que o modelo anterior de seis marchas.
As configurações de topo Highline e Extreme, equipadas com o motor 1.4 turbo 250 TSI, continuam atreladas à velha caixa automática de seis marchas. O irmão de plataforma Nivus, que usa exatamente o mesmo conjunto mecânico 200 TSI, por enquanto segue com as seis velocidades, mas tem tudo para ser o próximo da fila a receber a atualização. Já o novo SUV de entrada Tera, que utilizará a calibração mais mansa do motor (170 TSI), continuará com seis marchas puramente por uma questão de contenção de custos do projeto.
Como a Volkswagen só mudou o câmbio no T-Cross por causa das regras de emissões e não por estratégia de mercado ou por que o câmbio foi amortizado e agora pode ser oferecido em versões de entrada, esse custo foi repassado ao consumidor: as versões 200 TSI e Comfortline ficaram mais caras, enquanto as versões de topo não tiveram reajustes. (Leo Contesini)
É o fim. Não o fim de modo geral, mas o fim de mais um hot hatch. O Mercedes-AMG A45 S, cuja geração atual foi lançada em 2019, acaba de ganhar sua série de despedida: o A45 S Final Edition, nome que não deixa dúvidas — acabou mesmo.
Por fora, o hatchback vem com pintura na cor cinza “Mountain Grey”, com acabamento fosco, acompanhado de maçanetas externas, pinças de freio, emblemas, rodas, ponteiras de escapamento e capas dos retrovisores na cor preta — estas, decoradas com frisos amarelos que também aparecem nas saias laterais e nos componentes aerodinâmicos dos para-choques. Estes componentes, aliás, fazem parte do pacote AMG Aerodynamics, que também acrescenta a asa traseira no teto.
Por dentro a cor amarela também aparece em profusão — ela está nos bancos (que trazem nos encostos de cabeça o emblema “45 S” bordado, assim como os tapetes), nos revestimentos de porta, nas molduras dos comandos do painel e nas costuras do volante.
O motor não muda, e nem precisava, mesmo: trata-se de um dos quatro-cilindros mais potentes da história — o M139, um 2.0 turbo de 421 cv e 51 kgfm de torque que, acoplado a uma caixa de dupla embreagem e oito marchas com tração 4MATIC+, leva o A45 S de zero a 100 km/h em 3,9 segundos, com máxima limitada eletronicamente em 270 km/h. Ao menos o A35 permanece em linha, com seus 306 cv e 40,7 kgfm de torque que devem ser suficientes para garantir a diversão ao volante de um hatchback da Mercedes-Benz.
Até quando, porém, não se sabe. A Mercedes-AMG decidiu acabar com o A45 S, em parte, por conta das leis de emissões na Europa — mesma razão pela qual o novo CLA 45 é exclusivamente elétrico. A fabricante diz que já está trabalhando na nova geração do Classe A, mas não contaríamos com uma variante apimentada com motor a combustão. Seria legal se eles nos surpreendessem. (Dalmo Hernandes)