Esta foi a guardanapo assinado em dezembro de 2000. — Foto: Reuters

Um dos documentos mais importantes da história do futebol é um guardanapo.

O pedaço de papel, com 52 palavras escritas e assinado com tinta azul em dezembro de 2000, contém uma promessa do então dirigente do FC Barcelona, Carles Rexach, de contratar aquele que mais tarde se tornaria um dos maiores jogadores da história: Lionel Andrés Messi.

"Em Barcelona, em 14 de dezembro de 2000 e na presença dos senhores Minguella e Horacio, Carles Rexach, diretor esportivo do FC Barcelona, compromete-se, sob sua responsabilidade e independentemente de qualquer opinião contrária, a contratar o jogador Lionel Messi, desde que sejam respeitados os valores acordados."

A pessoa que havia conseguido um documento tão importante junto a um dos clubes mais poderosos do mundo foi justamente Jorge Messi, pai de Lionel, que morreu no último sábado (8/8) na cidade argentina de Rosário, aos 68 anos.

O documento foi assinado por Josep Minguella, assessor de contratações do clube espanhol, e pelo agente Horacio Gaggioli, que havia recomendado o jovem argentino.

Messi se incorporou ao Barcelona um mês depois de o acordo ter sido alcançado e chegou a tornar-se o maior artilheiro da história do clube. Muitos o consideram também o melhor jogador que já passou pelo clube... Ou, simplesmente, o melhor de todos os tempos.

Jorge Messi, ao centro, pai e figura fundamental na carreira brilhante de Lionel Messi. — Foto: getty

Messi estreou na equipe principal aos 16 anos e registrou a marca de 672 gols em 778 partidas pelo clube catalão.

"La Pulga", como foi apelidado, conquistou 10 títulos da espanhola La Liga e venceu a Liga dos Campeões quatro vezes com o Barcelona antes de se transferir para o Paris Saint-Germain (PSG), em 2021. Atualmente, o argentino campeão do mundo no Catar 2022 tem 39 anos e joga pelo Inter Miami, dos EUA.

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Aquele guardanapo que abriu caminho para a carreira internacional do astro foi assinado durante uma reunião organizada por Rexach, que havia convidado Jorge Messi para almoçar, depois que a família do jogador manifestou preocupação com a falta de resposta do Barcelona após um teste inicial já realizado pelo então adolescente.

Em 2024, esse guardanapo foi leiloado em Nova York por cerca de US$ 900 mil.

No início de 2000, em meio a um cenário político complexo na Argentina, Jorge Messi buscava com empenho evitar que o talento do filho ficasse enterrado como o de milhares de crianças na América Latina.

Lionel, aos 13 anos, já havia impressionado muitos especialistas em futebol, que não duvidavam de seu talento, mas sabiam que ele sofria de uma deficiência hormonal que dificultava seu crescimento e que, portanto, exigia um tratamento médico que custava cerca de US$ 900 por mês.

Jorge havia se reunido com dirigentes do River Plate, popular clube de Buenos Aires, e do Como, da Itália, entre outros clubes, mas nenhum podia garantir que cobriria os custos da terapia hormonal.

Foi então que surgiram no caminho duas pessoas fundamentais: os agentes de jogadores Horacio Gaggioli e Josep María Minguella.

Os dois conseguiram que Rexach, ex-jogador do FC Barcelona e então diretor esportivo do clube, observasse Lionel. Em setembro de 2000, Jorge e seu filho viajaram para a cidade catalã.

Rexach viu o jovem Messi e ficou muito impressionado. Mas naquele ano o Barcelona não atravessava seu melhor momento financeiro para assumir os custos de um adolescente e de um tratamento hormonal.

Lionel Messi estreou oficialmente pelo FC Barcelona em 2004. — Foto: getty