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Se você acorda todos os dias desiludido e desanimado com os rumos que os superesportivos tomaram… que tal uma notícia boa? Um sopro de ar fresco? Pois é exatamente isso que temos hoje — cortesia da Hennessey. Aqueles texanos malucos nunca decepcionam.

Eis o Hennessey Blackbird, um hipercarro com motor V8 naturalmente aspirado, câmbio manual, tração traseira e nenhuma tela no painel.

O Blackbird nasce com a nobre missão de substituir o Hennessey Venom F5. Este era um verdadeiro monstro com seu V8 biturbo de 6,6 litros — que, queimando etanol E85, passava dos 2.000 cv na versão Evolution. Para quem se questionava como a Hennessey iria superá-lo, a resposta é quase poética: deixando de lado o foco na cavalaria e no desempenho bruto e investindo na experiência ao volante.

Para tal eliminou sem cerimônia os turbocompressores da equação: o Venom Blackbird — batizado assim em homeenagem ao caça SR-71 Blackbird, evidentemente — é movido por um V8 atmosférico desenvolvido pela Ilmor Engineering. Para quem não sabe, trata-se da empresa que colabora com a Chevrolet em seus motores da Fórmula Indy desde 2012, e que no ano passado também assumiu os motores híbridos da Honda e da Chevrolet na categoria.

O resultado é um motor de 6,2 litros (afinal, a base ainda é o V8 da Chevrolet) que deve gerar entre 800 cv e 850 cv e ser capaz de girar a mais de 9.000 rpm. É o suficiente para chegar aos 100 km/h em 2,5 segundos, com máxima superior a 350 km/h. Bem rápido para um carro no qual os números não são a prioridade.

A Hennessey diz que uma das prioridades é a redução de peso, e a meta é ficar abaixo dos 1.360 kg usando um monocoque de fibra de carbono totalmente novo, além de painéis de carroceria no mesmo material. O acerto de chassi incluirá amortecedores adaptativos, controle de tração e freios ABS — e só, sem mais assistências eletrônicas.

A inspiração na aviação se estende ao design, com estabilizadores verticais ativos que se erguem a 114 km/h e quatro saídas de escapamento no estilo do histórico avião Bell X-1. A Hennessey diz que para o interior a meta foi criar uma experiência analógica e atemporal: o painel elimina qualquer tela em favor de um grande conta-giros central, câmbio manual com trambulador exposto e chave de ignição física. A conectividade fica por conta do Hennessey Holster, um suporte discreto feito para usar o próprio smartphone como central multimídia. Tudo isso sem abrir mão do conforto para viagens mais longas, garantido por um isolamento acústico caprichado, espaço dianteiro para duas malas de mão e, na decisão mais americana possível, quatro porta-copos na cabine.

A exclusividade, contudo, cobra seu preço. Apenas 71 unidades do Blackbird (mais um aceno ao caça SR-71) serão produzidas entre 2029 e 2030, cada uma custando US$ 2,5 milhões antes dos opcionais. E se você quiser garantir o seu, é bom correr: segundo a Hennessey, mais de dois terços do lote total já estão encomendados. (Dalmo Hernandes)

O mercado brasileiro emplacou 265.148 automóveis e comerciais leves em julho, um crescimento de 2,1% sobre o mês anterior. Essa variação se deve aos dois dias úteis a mais que julho teve em relação a junho — quando se considera a média diária, os emplacamentos caíram cerca de 7%. Em volume mensal aumentou, mas o ritmo das vendas diminuiu.

Na liderança, nenhuma surpresa. A Fiat Strada terminou o mês com 14.912 unidades, seguida pelo Volkswagen Polo, com 10.340, e pelo Volkswagen Tera, que alcançou 10.165 emplacamentos. Chevrolet Onix e Fiat Argo completaram os cinco primeiros lugares. Se considerarmos apenas as vendas de varejo, contudo, o ranking muda completamente. Isso, porque as vendas para frotistas e locadoras continuam correspondendo a quase 50% do mercado — em julho foi um pouco menor, com 45,9%, mas em junho essa participação foi de 50,4% e em julho do ano passado foi 49,3%. Ou seja: o mercado ainda depende demais das vendas diretas, onde preços e margens são menores.

Os cinco primeiros colocados dependeram bastante dessa modalidade: 74,4% dos emplacamentos da Strada, 66,1% do Polo, 56% do Tera, 61,1% do Onix e 75,5% do Argo foram para frotistas ou locadoras. A segunda metade do top 10 teve três elétricos — Os BYD Dolphin Mini e Dolphin, e o Geely EX2, que vendem majoritariamente no varejo. Considerando apenas as vendas dessa modalidade, o carro mais vendido é o BYD Dolphin, seguido pelo Geely EX2 e o Dolphin Mini — embora aqui seja importante notar que há relatos de faturamento para a concessionária, ou seja: o revendedor fatura para si, o carro entra na estatística de vendas, mas, na prática o carro continua na concessionária esperando um comprador. Volkswagen Tera seria o quarto colocado, à frente do Hyundai Creta e do Toyota Yaris Cross.

Os modelos chineses também se destacaram entre os SUV urbanos, caso do GWM Haval H6, que passou pela primeira vez das 5.500 unidades entra no top 10 do varejo, do BYD Song Pro chegou a 4.158 e do Jaecoo 7 que teve 3.061 emplacamentos. Somadas, as marcas chinesas já responderam por aproximadamente 23% do mercado brasileiro em julho, sua maior participação mensal até agora.

Entre os SUVs compactos, o Volkswagen T-Cross manteve a liderança com 7.070 unidades, seguido por Hyundai Creta, com 5.880, Chevrolet Tracker, com 5.582, e Toyota Yaris Cross, com 5.036. O lançamento da Toyota já aparece à frente de modelos estabelecidos como Fiat Fastback, Jeep Compass, Honda HR-V, Volkswagen Nivus e Corolla Cross.

Outro resultado apertado aconteceu entre as picapes médias. A Ford Ranger terminou julho com 3.402 unidades e superou a Toyota Hilux, que registrou 3.369 — uma diferença de apenas 33 veículos. Entre os sedãs médios, o Corolla também venceu por pouco: foram 1.666 unidades contra 1.605 do BYD King. (Leo Contesini)

A Ram lançou no Brasil a nova 1500 Big Horn, que passa a ser a versão de entrada da 1500. Custando R$ 449.990, ela fica abaixo da Laramie, que parte de R$ 584.990, e coloca a 1500 em uma faixa até agora ocupada principalmente pelas versões mais caras das picapes médias.

Apesar de custar R$ 135.000 a menos que a Laramie, a Big Horn manteve o mesmo Hurricane 3.0 biturbo de seis cilindros em linha, com 426 cv e 64,8 kgfm, combinado ao câmbio automático de oito marchas e à tração 4×4, claro. Isso significa que, mesmo pesando 2.663 kg, ela vai de zero a 100 km/h em 5,3 segundos e chega aos 180 km/h. Segundo a Ram, esses números fazem dela a picape full-size mais potente e rápida à venda no Brasil.

Com essa relação preço/desempenho, ficou claro que a Ram pretende não apenas disputar mercado com Ford F-150 e Chevrolet Silverado, mas também com a Ford Ranger Raptor. As duas têm praticamente o mesmo preço, e apesar da proposta diferente, são modelos com pegada esportiva e alto desempenho — a Ranger voltada ao uso off-road e a Ram, com uma proposta mais estradeira e utilitária.

Para reduzir o preço, a Big Horn recebeu acabamento e lista de equipamentos mais simples que os da Laramie, mas ainda tem rodas de 20 polegadas, faróis de LED, tela multifuncional de 12 polegadas, Apple CarPlay e Android Auto sem fio, carregador por indução, banco do motorista com ajustes elétricos e bancos dianteiros aquecidos. Entre os itens de segurança, ela tem os hoje básicos cruise control adaptativo com função anda e para, frenagem autônoma de emergência, monitoramento de ponto cego, assistente de permanência em faixa e seis airbags. (Leo Contesini)