Siga o programa Relatório de Jogo e receba um alerta assim que um novo episódio é publicado.
Nehuén Pérez regressou "depois de um ano difícil" e foi o melhor. Filipe Coelho elogia consistência defensiva dos dragões: "3 jogos oficiais e 0 golos sofridos limitam as pretensões dos adversários."
Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Rio Ave 0, Futebol Clube do Porto 2. Jogo a contar para a segunda jornada do campeonato e o Futebol Clube do Porto continua sem sofrer gols e volta a fazer o gosto ao pé por duas vezes. Aquilo que foi sendo destacado também pelos dois treinadores, com a letalidade principal do Dragão a chegar via bolas paradas, num jogo que, na primeira parte, até começou de alguma forma equilibrado, Filipe Coelho, com o Rio Ave e o Futebol Clube do Porto a ocuparem espaços semelhantes no terreno. Só que até o primeiro gol do Porto a coisa foi assim. Depois do primeiro gol do Porto, o Porto foi ganhando velã.
Sim, precisamente. O início da partida ficou marcado por um jogo repartido. A verdade é que o Porto com um pouco mais de bola, mas o Rio Ave a dar uma boa resposta em termos de defesa posicional, sem pressionar tão alto, mas a tentar fechar os caminhos. E foi conseguindo isso a ponto de o Porto necessitar de uma bola parada para desbloquear o resultado. Nesse aspecto, é um Porto igual a si próprio, com a fórmula habitual da bola parada, a trazer uma vantagem constante à equipa de Francesco Farioli. Até nesse aspecto, há parecenças com o jogo da última temporada, aqui mesmo nos Arcos, porque na altura o Porto também desbloqueou o jogo com dois gols de bola parada. Na altura, o Gabri Veiga a assistir o Pablo Rosário e o Samu. Desta feita foi o Gabri Veiga novamente, mas a assistir o Nehuén Pérez, que acabou por ser uma das principais novidades e um dos principais destaques, diria eu, desta equipa do Porto hoje, até porque atuou como lateral direito face ao condicionamento do Martim Fernandes e também do Alberto Costa. O Alberto veio entrar na segunda parte, mas o Nehuén começou o início e começou muito bem. O Porto, depois de marcar, conseguiu ter ainda o domínio da partida, até com maior flexibilidade do que é habitual, com algumas trocas posicionais a nível de meio-campo entre o Gabri Veiga e o Fran Holt, para tentar mexer com a marcação individual que o Rio Ave trazia como plano de jogo. O próprio PP e o William Gomes também a trocarem de flanco, muitas vezes o PP a atravessar o campo para se juntar no lado da bola. Enfim, foi um Porto, se quisermos, um pouco mais maleável, um pouco mais flexível, não com ataque organizado tão posicional. Diria que na primeira parte, até aos 20, 25 minutos, apesar de tudo, é com o Porto melhor. Depois o Rio Ave cresceu. E aqui há que destacar, de facto, a postura da equipa do Ciudad de A Polos. Foi capaz de alternar as saídas, uma saída mais em apoio desde trás com o Liavas a baixar no terreno, o lateral direito grego baixou no terreno e gerou alguma dúvida na forma como o Porto queria pressionar. Depois com um jogo até mais direto em alguns momentos, à procura do Tambelé Monteiro, que é um avançado muito possante, muito físico, que trouxe algumas dificuldades aos centrais do Porto, nomeadamente ao Kívior. O Tambelé foi um jogador importante nesse aspecto, com o Rio Ave a conseguir reter um pouco mais a bola no meio-campo ofensivo e a partir daí a ter o Diogo Nascimento para gerir o esférico e o Bezerra um pouco mais aberto sobre a esquerda a criar alguns problemas no um para um. Portanto, foi o Rio Ave a melhorar ao longo da primeira parte e no final desse primeiro tempo a ter talvez a melhor jogada coletiva da equipa vila condense, combinada com o cabeceamento do Tambelé Monteiro para uma enorme defesa do Diogo Costa.
Uma primeira parte em que o Porto começou também o jogo com o Dénis Goul na frente, por lesão não total, mas para dar algum descanso a André Silva, que saiu tocado do jogo da primeira jornada e também, como falaste, de Nehuén Pérez, que esteve quase para ganhar minutos e ganhar forma na equipe B e à última da hora, por lesão de Martim Fernandes, foi chamado para jogar a titular fora da sua posição e também fazer aqui um gol. Farioli também gostará deste tipo de histórias, deste tipo de jogadores que, para além de cumprirem o seu papel onde quer que o treinador peça, vêm de alguma forma dar tudo e também dar o exemplo aos outros.
Sem dúvida. É a história da semana, desde já, porque se aconteceu tudo como Farioli disse, é de facto um episódio muito interessante. Nehuén na calha para jogar na equipe B e repescado para a equipe principal face às dificuldades do Porto na lateral direita. E a verdade é que o Nehuén não só marca o um a zero, como foi um jogador fiável do ponto de vista defensivo. Enfim, o Diogo Bezerra é um extremo irreverente e difícil de controlar, mas até diria que o Nehuén se destacou mais na forma como em alguns momentos conduziu a bola em diagonais da direita para a zona central, ou seja, criando vantagens a partir do flanco direito ao nível da construção. Portanto, foi um jogador que mostrou até coragem e se pensarmos que não é sua posição de origem e vem de uma paragem muito longa, é de facto notável. O Nehuén Pérez não era titular desde o final de agosto de 2025, na altura num Sporting-Porto. Depois disso, teve uma lesão gravíssima. Em relação ao Dénis Goul, diria que nem foi a pior exibição do avançado turco, nomeadamente na primeira parte, na forma como se conseguiu ligar com a equipa a jogar de costas, mostrou algumas coisas, conseguiu lançar o Gabri Veiga para um dos lances mais interessantes do Porto. Depois é um jogador que anda, de certa forma, divorciado com o gol e isso ficou patente naquele lance na segunda parte em que atira ao poste da baliza do Rio Ave, depois de um belíssimo gesto técnico de cabeça, um bom cruzamento também do PP. Portanto, é um jogador que dentro das suas limitações e dá alguma falta de confiança, que eu creio que é notória, acabou por fazer uma exibição relativamente interessante.
Na segunda parte, depois de o Rio Ave ter acabado a primeira em tom ligeiramente superior, o Porto voltou de alguma forma a tomar conta do jogo até aos 60 minutos e depois das mexidas promovidas por ambos os treinadores, quer Farioli, quer Cilado Apolos, o jogo mudou de completo cariz. O Porto subiu, ficou mais perto do segundo gol, ao qual acabou por jogar, o Rio Ave desapareceu do jogo.
Sim, completamente. Diria que dentro do segundo tempo há duas partes: até ao minuto 75 e depois disso. Entre o início da segunda parte e o minuto 75, foi um jogo relativamente repartido. É certo que o Porto com maior ascendente, mas o Rio Ave, apesar de tudo, a ter algumas entradas no último terço, sempre à procura do Diogo Bezerra, com o També bastante interventivo, o Diogo Nascimento também a conseguir manobrar um pouco a bola. É verdade que o Rio Ave não tem grandes lances de perigo junto à baliza do Porto, isso é indiscutível, até porque enfrentou um Bednarek que foi capaz de limpar muitas vezes a área. O Rio Ave procurou alguns cruzamentos, alguns remates de fora da área e nesse aspecto o Porto com o Bednarek, com o Rosário, enfim, foi conseguindo bloquear essas tentativas. Depois do minuto 75, creio que o Porto assumiu definitivamente o controle da partida, nomeadamente com as trocas que o Ciudad Polos fez e que creio que não beneficiaram o Rio Ave, ao contrário do que fez o Farioli, que acabou por ir ao banco buscar jogadores importantes para chegar ao 2 x 0. Todos eles acabaram por ter impacto. O Wang faz a assistência para o Borra, o Borra que veio do banco. O Alberto Costas está na origem desse lance do 2 x 0 e o próprio André Silva também teve alguma contribuição.
E Alberto Costas depois ainda deu uma de Cafu, não foi, Felipe?
Exato. O Alberto também procurou replicar os movimentos do Neon Peras, de certa forma. Agora, o Alberto é um jogador de maior potência, de maior pegada, se quiseres, e é um jogador que vive claramente também com outros índices físicos e, portanto, aproveitando também algum desgaste do Rio Ave, alguma falta de rigor da equipe vilacondense, foi muito importante para o Porto chegar ao 2 x 0, que acaba por ser fatal para as aspirações vilacondenses.
Fazendo um resumo destes três jogos oficiais da época, o Porto tem três jogos, três vitórias, zero gols sofridos, seis gols marcados. Continua a ser detrimental para a equipe de Farioli, para a ideia de Farioli, uma defesa em absoluto estado de consistência. Uma consistência que aqui, dirias que é polaca? Inteiramente polaca, se deve, sobretudo, a essa característica.
Inteiramente não diria, mas tem uma grande cota de responsabilidade, evidentemente. É a grande força competitiva do Porto, indiscutivelmente. Não sofrer gols. É uma equipe que já ano passado sofria muito pouco. Este ano mantém esse registro, três jogos oficiais, zero gols sofridos. Isso acaba por, obviamente, limitar bastante as pretensões dos adversários. Farioli não esconde ao que vem, mantém muito essa ideia de continuidade do modelo, que também está ligada à continuidade do plantel. O Porto basicamente não perdeu jogadores importantes. Veremos o que acontece até ao final do mercado, mas é um Porto muito sólido, muito pragmático. O Alverca talvez até tenha criado mais problemas do que propriamente hoje criou o Rio Ave. O Dio Costa esteve mais em foco nessa partida, hoje acaba por ter lance em que faz a diferença, mas diria que o Kiver Orates teve uns esforços acima da primeira jornada, o Bednarek sempre muito impositivo, o próprio Neon, como já referimos, mas essa é a força do Porto e o Porto não tem problemas, muitas vezes, em defender dentro do seu meio-campo, baixando o médio ofensivo para junto dos centrais, no caso o Pablo Rosário, fixando um 5-4-1, isso acaba por anular, nem muito, as pretensões atacantes dos rivais.
Para fecharmos este relatório de jogo da segunda jornada da vitória do Porto em casa do Rio Ave por 2 x 0, vamos para terminar em chave de beleza, vamos primeiro ao pior. O que foi o pior esta noite no Estádio dos Arcos, Felipe?
O pior diria que as trocas do Cidade do Polos ali por volta do minuto 75, com a entrada do Lombotó, mas sobretudo com a entrada do Vrosai e a saída do Tamblé Monteiro. Eu creio que aí o Rio Ave perdeu força ofensiva. O Tamblé Monteiro estava a ser muito importante nos duelos com os centrais, quer para ganhar a primeira bola, quer para incomodar e permitir ao Rio Ave subir e chegar com mais gente ao meio-campo ofensivo. Com essa troca, o Rio Ave perdeu, de fato, corpo atacante e depois, nos últimos minutos, já não teve grandes argumentos ofensivos, além de revelar dificuldades a defender o seu lado direito.
E para terminar, Felipe Coelho, o que foi o melhor esta noite no Estádio dos Arcos?
O melhor, até por aquilo que já fomos falando, vou destacar o Neon Peras. Pela postura do atleta, de acordo com aquilo que Farioli disse, mas obviamente e sobretudo pela resposta que teve dentro de campo. Um jogador que não era titular desde 30/08/2025, que jogou fora da sua posição, que deu uma ótima resposta, um ótimo contributo, quer a nível da bola parada ofensiva marcando um a zero, quer também a nível de construção e conseguindo, enfim, aqui e ali, ir controlando o Diogo Bezerra. Creio que, no fundo, esta prestação do Neon Peras acaba também por representar a resposta defensiva que o Porto vai dando consecutivamente. E aí há que também que mencionar, quer o Bednarek a limpar a área, quer o Kiver, na forma sempre muito criteriosa como dá início à construção do jogo portista. Mas fica, sobretudo, essa nota, porque o Neon passou uma temporada muito complicada, uma lesão das mais graves que se pode ter, parece estar completamente restabelecido e com esta predisposição para ajudar a equipe, na equipe B, na equipe A, em várias posições. Nesse aspecto, Farioli acabou também por ter uma declaração muito bonita em relação ao defesa argentino.
Fica por aqui mais um relatório de jogo que está escrito, entregue e assinado pelo Felipe Coelho e é relativo ao jogo Rio Ave 0, Porto 2. Jogo a contar para a segunda jornada do nosso campeonato. Felipe, até à próxima. Um abraço. Bom descanso