O Santos vive realidades distintas nas Copas e no Campeonato Brasileiro. Nos torneios de mata-mata, o time parece ter aprendido a lição após a eliminação para o Novorizontino, nas quartas de final, fora de casa, pelo Campeonato Paulista.
Mesmo com os jogos de ida da Copa do Brasil disputados na Vila Belmiro, o Peixe não conseguiu abrir vantagem contra Coritiba e Remo e precisou decidir as classificações longe de seus domínios — justamente em um cenário no qual apresenta baixo retrospecto como visitante, com apenas quatro vitórias em 20 partidas disputadas fora de casa nesta temporada.
Nas duas eliminatórias restantes, porém, o Santos conseguiu sobreviver. Contra o Coritiba, empatou por 0 a 0 na Vila Belmiro e venceu por 1 a 0 no Couto Pereira. Diante do Remo, novo empate sem gols em casa e vitória por 1 a 0 no Mangueirão. O time avançou às quartas de final da Copa do Brasil e mostrou maior maturidade para lidar com as decisões fora de casa.
A realidade, no entanto, é completamente diferente no Campeonato Brasileiro. A luta contra o rebaixamento acompanha o Santos desde o início da competição e já provocou uma mudança no comando técnico. Juan Pablo Vojvoda foi demitido no dia 19 de março, após a disputa da sétima rodada, em meio ao início ruim da equipe na competição.
O cenário atual é preocupante. Com a derrota por 2 a 0 para o Athletico-PR, no último domingo (9), na Vila Belmiro, o Santos caiu para a 17ª colocação e entrou na zona de rebaixamento. O Peixe tem 22 pontos, mesma pontuação do Vasco, que aparece logo atrás, e soma apenas cinco vitórias em 21 partidas, com 34% de aproveitamento.
Além da baixa pontuação, os números defensivos ajudam a explicar a situação. O Santos tem a terceira pior defesa do Campeonato Brasileiro, com 35 gols sofridos. O ataque, por outro lado, é o sétimo melhor da competição, com 29 gols marcados, ao lado do Bahia. Ou seja, embora tenha conseguido balançar as redes com frequência razoável, a equipe tem encontrado dificuldades para sustentar os resultados.
Após a derrota para o Athletico-PR, o técnico Cuca aproveitou a entrevista coletiva para fazer um desabafo, principalmente sobre as limitações do elenco. Na presença do diretor executivo de futebol, Alexandre Mattos, o treinador reforçou a necessidade de o Santos quitar o transfer ban para poder contratar pelo menos dois ou três reforços.
A preocupação de Cuca passa também pela necessidade de não colocar uma responsabilidade excessiva sobre os Meninos da Vila. O clube tem recorrido à nova geração formada nas categorias de base em um momento que a própria comissão técnica considera inadequado. Alguns jogadores, inclusive, chegaram a conciliar compromissos pelo Sub-20 com partidas e atividades do elenco profissional na mesma semana.
Nos bastidores, porém, Mattos tem adotado outra prioridade para evitar que os problemas financeiros afetem o ambiente do elenco. O dirigente deixou claro que o Santos precisa, antes de tudo, manter os salários em dia e regularizar as duas parcelas atrasadas de direitos de imagem dos jogadores.
A situação financeira também já produziu consequências jurídicas. Recentemente, os ex-jogadores Mayke e Tiquinho Soares conseguiram a rescisão de seus contratos com o Santos na Justiça por conta de valores devidos pelo clube.
O Santos, portanto, vive um contraste cada vez mais evidente na temporada. Enquanto consegue competir e avançar nas Copas, mesmo diante de um retrospecto ruim como visitante, o time segue sem encontrar estabilidade no Campeonato Brasileiro. E, com a zona de rebaixamento novamente como realidade, a margem para erros começa a diminuir.
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Ainda no primeiro semestre deste ano, Cuca já havia afirmado que seria difícil montar um elenco capaz de disputar as três competições devido à falta de peças. Agora, o cenário se tornou ainda mais complicado com o transfer ban. Na última temporada, o Peixe contratou 20 reforços. Neste ano, foram apenas seis: Gabriel Barbosa, Rony, Gabriel Menino, Moisés, Oliva e Lucas Veríssimo.
Cuca ressaltou ainda que um elenco mais numeroso permite poupar jogadores e fazer um rodízio maior durante a temporada. O treinador citou Palmeiras e Cruzeiro como exemplos de equipes que conseguem administrar melhor a carga de jogos justamente por terem mais opções no elenco.
Diante desse cenário, o técnico admitiu a possibilidade de o Santos priorizar uma das três competições que disputa, mas ponderou que ainda vai avaliar a situação antes de tomar qualquer decisão.
— Agora eu vou ver, dentro da condição normal, o que de melhor a gente faz. Acho que, em algum momento, teremos que priorizar uma competição. Você luta tanto por um título e, quando afunila a competição, você tira o time? Tirar o time na quinta para jogar com o Macará e depois enfrentar o Vasco no domingo? Verei, dentro das condições, o que faremos — completou.
BRASILEIRO21 jogos5V | 7E | 9D35% de aproveitamento29 gols marcados (1.4 p/ jogo)35 gols sofridos (1.7 p/ jogo)
PAULISTA9 jogos3V | 3E | 3D44% de aproveitamento13 gols marcados (1.4 p/ jogo)9 gols sofridos (1.0 p/ jogo)
COPA SUL-AMERICANA8 jogos3V | 4E | 1D54% de aproveitamento16 gols marcados (2.0 p/ jogo)9 gols sofridos (1.1 p/ jogo)
COPA DO BRASIL4 jogos2V | 2E67% de aproveitamento3 gols marcados (0.8 p/ jogo)0 gols sofridos (0.0 p/ jogo)