Desde a chegada da família Menin, o Atlético-MG viu a entrada de um volume considerável de dinheiro no clube, o que proporcionou títulos. Mas os recursos não impediram o aumento do endividamento por conta da gastança com o futebol.

A partir da virada do ano, a diretoria do Galo mudou essa estratégia. A decisão foi resolver as dívidas e começar a procurar um caminho sustentável para as finanças. Essa lógica se instalou após a chegada do CEO Pedro Daniel.

As principais dívidas atleticanas são a tributária, a bancária e a relacionado à construção do estádio - esta também atrelada ao mercado financeiro. No total, são em torno de R$ 1,3 bilhão a R$ 1,4 bilhão.

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Erros determinarão mais que acertos na reta final

Em relação aos débitos com o governo, o Galo trabalha em um acordo com a procuradoria-geral da Fazenda para fechar um acordo para obter descontos e um novo parcelamento. O total da dívida gira em torno de R$ 450 milhões.

Desse total, R$ 280 milhões vão entrar no novo financiamento. O acordo em negociação prevê o parcelamento em 145 meses, com descontos acima de R$ 50 milhões do montante total - queda de juros e multa.

O restante - em torno de R$ 120 milhões - já está alinhado dentro do Profut e Perse, programas de financiamento do governo.

A dívida bancária era a maior dor de cabeça do clube com um total de R$ 625 a 630 milhões. Um aporte feito pelos controladores da Galo Holding - a família Menin - foi de R$ 530 milhões para quitar a maior parte da dívida. Sobraram R$ 100 milhões.

Essa operação vai gerar uma encomia brutal nas contas do clube. Foram pagos R$ 300 milhões só de juros no ano de 2025, considerando os débitos bancários e do estádio. Para 2026, o número deve fechar entre R$ 170 e 180 milhões. Em 2027, haverá nova redução.

Por fim, a dívida da construção do estádio foi feita por meio da operação de CRIS, no total de R$ 440 milhões. Já foi paga uma parte com receita da própria arena, sócio-torcedor e bilheteria. Restam atualmente R$ 230 milhões.

O Galo vai reestruturar também esse débito ao fazer uma nova operação de crédito com juros menores e quitar o anterior. A ideia é de que o estádio se provou como gerador de receita e, portanto, há garantias mais sólidas, o que torna mais fácil obter juros menores.

O estádio gera em torno de R$ 165 milhões por ano em receitas, considerando a bilheteria (R$ 80 milhões), sócio (R$ 50 milhões), eventos (R$ 15 milhões) e naming rights.

Com o estádio, a receita do Atlético-MG já atingiu o patamar de R$ 800 milhões neste ano de 2026, um aumento em relação aos R$ 768 milhões do ano passado (que foram influenciados pela venda de partes dos direitos à FFU).

O clube estima que vai operar com superávit operacional, gastando menos do que arrecadando neste ano. O problema, obviamente, ainda é o passivo.

Haverá um impacto da MP que proíbe as Bets se ela for mantida. O patrocínio do Atlético-MG era de R$ 60 milhões, o que dá uma perda na casa de R$ 5 milhões por mês. Então, como o restante do futebol, o clube terá de se ajustar.

Mas há um caminho, um rumo a ser seguido pelo Atlético-MG, para resolver sua crise financeira. Um cenário diferente do ano passado em que o buraco só parecia crescer.

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