Christian Horner revelou os motivos que, segundo ele, levaram à sua demissão da Red Bull em julho de 2025.

Mais de um ano após deixar o comando da equipe de forma abrupta, o britânico afirmou que uma mudança de poder na liderança da empresa após a morte do fundador Dietrich Mateschitz foi determinante para sua saída.

Em entrevista ao jornal The Guardian, Horner, de 52 anos, negou que conflitos com Max Verstappen ou com seu pai Jos Verstappen tenham provocado sua demissão.

Segundo o ex-chefe da equipe, a decisão partiu da própria Red Bull, em meio a mudanças na estrutura de comando.

Durante seus 20 anos à frente da Red Bull, Horner liderou a equipe em duas fases de grande domínio na Fórmula 1. Primeiro, conquistou títulos com Sebastian Vettel. Depois, repetiu o sucesso com Verstappen.

Ao todo, o britânico participou da conquista de seis títulos de construtores e oito campeonatos de pilotos. Apesar desse histórico, ele afirma que a nova liderança austríaca decidiu afastá-lo sem apresentar uma justificativa concreta.

“Acho que havia a sensação de que eu tinha controle demais em minhas mãos”, afirmou Horner ao comentar o encerramento inesperado de sua trajetória. “Mas na verdade não me deram um motivo”.

O ex-dirigente também rejeitou a especulação de que desentendimentos com Verstappen ou com Jos tenham determinado sua saída.

“Não, foi uma decisão da Red Bull”, esclareceu. “Depois que Dietrich morreu, as coisas mudaram na liderança”.

Mateschitz, fundador bilionário da marca, morreu em outubro de 2022. Desde então, a estrutura de poder da empresa passou por mudanças, que Horner agora aponta como parte central do contexto de sua demissão.

Além do impacto profissional, a demissão ocorreu em um período particularmente difícil para Horner.

Poucos dias antes de deixar a Red Bull, Beverley Allen, sua ex-companheira e mãe de sua filha Olivia, morreu após lutar contra um câncer ocular.

O britânico também havia dedicado parte importante de sua trajetória à construção da divisão Red Bull Powertrains, responsável pelo desenvolvimento do projeto de motores próprios da marca.

Por isso, Horner considerou especialmente dolorosa a maneira como a equipe encerrou sua longa passagem.

“Foi particularmente brutal e triste terminar daquela maneira”, declarou. “Foi doloroso. Muito doloroso”.

Ele explicou que demorou cerca de um mês para assimilar o que havia acontecido. Imediatamente após a demissão, sua prioridade foi dar apoio à filha durante o luto.

Sem citar diretamente cada integrante da atual liderança, Horner fez críticas à maneira como a Red Bull conduziu sua saída.

A estrutura atual inclui Oliver Mintzlaff, dirigente responsável pela área de projetos corporativos e esportivos da empresa, enquanto Laurent Mekies assumiu o comando da equipe na F1.

Para Horner, a maneira como as equipes tratam seus dirigentes após anos de trabalho pode revelar muito sobre a cultura de cada organização.

“A história se repete. Nem todas as equipes agem dessa maneira”, afirmou