A McLaren admitiu que ficou “decepcionada” por não ter identificado tão rapidamente quanto a Ferrari o potencial da inovadora asa traseira rotativa. Agora, a equipe de Woking está perto de levar sua própria versão para o carro.
A solução surgiu com o novo regulamento da Fórmula 1 para 2026. Desde então, as equipes passaram a explorar diferentes interpretações das regras. Entre elas, algumas são mais visíveis. Outras trabalham de maneira mais discreta.
Foi justamente nesse cenário que a Ferrari surpreendeu durante os testes de pré-temporada no Bahrain. A equipe italiana apresentou uma asa traseira capaz de girar 180 graus entre o modo de curva e o modo de reta.
Com isso, o componente consegue reduzir o arrasto aerodinâmico nas retas. Ao mesmo tempo, mantém características importantes de carga aerodinâmica nas curvas.
Naturalmente, a solução chamou a atenção dos fãs e despertou imediatamente o interesse dos rivais.
Assim que a Ferrari mostrou o conceito, os departamentos técnicos das equipes concorrentes começaram a investigar a solução. Afinal, ninguém queria descobrir tarde demais que havia deixado um ganho de performance sobre a mesa.
A Red Bull foi uma das primeiras a apresentar sua própria interpretação. No entanto, a equipe adotou um conceito diferente e precisou revisar o sistema depois de dois incidentes envolvendo Max Verstappen na Áustria e em Silverstone.
Depois disso, a McLaren também entrou na corrida pelo desenvolvimento da tecnologia. Ainda assim, o projeto enfrentou dificuldades antes de chegar ao estágio atual.
Um teste planejado para o primeiro treino livre do GP da Áustria, por exemplo, precisou ser cancelado. A equipe encontrou um problema enquanto a peça ainda estava na garagem. Por isso, decidiu levar o componente de volta à fábrica para novas análises.
Posteriormente, após mais uma rodada de desenvolvimento, a McLaren voltou a testar a asa. Dessa vez, a equipe utilizou o componente como item experimental durante o GP da Hungria. Os resultados aparentemente foram positivos.
Neil Houldey, diretor técnico da McLaren, reconheceu que a equipe gostaria de ter percebido o potencial da solução mais cedo.
“Ficamos decepcionados por não termos identificado isso tão rapidamente quanto a Ferrari e depois a Red Bull”, disse Houldey ao motorsport.com. “Assim que vimos, percebemos que havia uma oportunidade e começamos a analisá-la por algum tempo”.
Ainda assim, a McLaren tinha outras prioridades. Por isso, a asa rotativa não se tornou o principal projeto naquele momento.
“Existem grandes ganhos de desempenho disponíveis na asa. Portanto, esse não era nosso projeto prioritário e trabalhávamos nele em segundo plano”, afirmou Houldey.
Nesse período, a equipe realizou testes de laboratório. Depois, levou a peça para o primeiro treino livre na Áustria. No entanto, o problema encontrado na garagem interrompeu o programa. Agora, o cenário mudou.
“Acreditamos que encontramos um conceito que funciona e criamos uma solução confiável. Também entendemos alguns dos riscos aerodinâmicos envolvidos”, afirmou o diretor técnico.
Os problemas enfrentados pela Red Bull também ajudaram a McLaren a compreender melhor os desafios da tecnologia.
Na Áustria e em Silverstone, Verstappen sofreu duas rodadas fortes depois que a primeira versão da asa traseira da Red Bull demorou mais do que o esperado para fechar.
Como resultado, o componente não entregou imediatamente o nível de carga aerodinâmica esperado. Consequentemente, o comportamento do carro mudou de forma bastante agressiva durante a transição.
Por isso, os incidentes reforçaram que a asa traseira rotativa não é uma solução simples de acertar. O sistema apresenta riscos aerodinâmicos que precisam ser compreendidos antes de sua utilização em corrida