A Mercedes não quer antecipar as comemorações pelo possível título de Kimi Antonelli na Fórmula 1. Bradley Lord, vice-chefe da equipe, pediu cautela antes do GP dos Estados Unidos, em Austin, onde o italiano poderá ter sua primeira oportunidade matemática de conquistar o Mundial de 2026.
Antonelli chega à prova com 102 pontos de vantagem sobre seu companheiro de equipe, George Russell. Para garantir o título já no próximo domingo, o jovem precisa ampliar essa diferença para mais de 125 pontos. No entanto, Lord considera pequena a possibilidade de isso acontecer em Austin e prefere manter o foco no desempenho da equipe.
Em entrevista ao programa NU Silver Arrows Radio Show, o dirigente explicou que a Mercedes quer evitar que o assunto domine as entrevistas antes do fim de semana. Afinal, a pressão em torno de um possível primeiro título pode desviar a atenção das prioridades esportivas.
“Eu diria que estamos naquela fase muito desconfortável da temporada em que precisamos enfrentar as entrevistas de quinta-feira com todo mundo dizendo: ‘Você pode conseguir. Você pode conseguir. Você tem o primeiro match point’”, afirmou Lord.
O dirigente também ironizou a comparação recorrente entre a disputa pelo título e os pontos decisivos do tênis. “As pessoas adoram essa comparação com o tênis, não é? Mas acho que existe algo como uma chance em 25 de isso ser realmente possível em Austin. Por isso, prefiro eliminar esse assunto das perguntas que virão e das respostas que precisaremos dar”, acrescentou.
Além de evitar especulações sobre Antonelli, Lord ressaltou que a Mercedes não pode se acomodar na liderança do campeonato. A Red Bull venceu os dois últimos GPs, enquanto a Ferrari também demonstrou evolução, com Lewis Hamilton e Charles Leclerc conquistando um pódio cada um nesse período.
Por isso, a prioridade será encontrar o melhor acerto para o carro e somar o máximo de pontos possível. Embora a Mercedes mantenha uma vantagem confortável no Mundial de Construtores, os resultados recentes dos rivais acenderam um alerta.
“Nosso foco é colocar o carro em sua melhor condição e, depois, conquistar o máximo de pontos possível. Como equipe, obviamente consideramos o cenário do Mundial de Pilotos. Mais importante, porém, é que perdemos terreno para Red Bull e Ferrari no Mundial de Construtores nas últimas corridas”, explicou Lord.
“Temos uma vantagem saudável, mas nada está decidido. Precisamos nos concentrar em levar os dois carros até a bandeirada e terminar o mais à frente possível. Isso pode parecer banal, mas é o nosso trabalho em cada fim de semana”, completou.
Na classificação de Construtores, a Mercedes lidera com 134 pontos de vantagem sobre a Ferrari e 246 sobre a Red Bull. A McLaren aparece em terceiro lugar, 239 pontos atrás da equipe alemã. Portanto, apesar da margem expressiva, Lord quer evitar qualquer queda de rendimento na reta final da temporada.
O dirigente também aproveitou para elogiar o trabalho dos integrantes da equipe após uma sequência particularmente exigente de três corridas consecutivas. As condições nas garagens, com temperaturas elevadas e alta umidade, aumentaram a dificuldade operacional nas últimas provas.
Lord destacou especialmente o desempenho da equipe de mecânicos nas paradas nos boxes. Em Singapura, a Mercedes precisou fazer mudanças no grupo responsável pelos pit stops, inclusive com a entrada de profissionais que não realizavam uma parada em condições de corrida havia 15 anos. A substituição ocorreu em meio a lesões e outras ausências.
Mesmo com essas alterações, a Mercedes foi a equipe mais rápida no pit lane e registrou a parada mais veloz pela segunda corrida consecutiva. Para Lord, esse resultado demonstra a capacidade operacional do grupo mesmo diante de circunstâncias adversas.
“É muito animador ver o nível em que a equipe está trabalhando operacionalmente, especialmente depois da sequência tripla, provavelmente a mais exigente em termos de condições na garagem, temperatura, umidade e tudo mais”, afirmou.
O dirigente também ressaltou a importância de manter esse padrão durante a parte final do campeonato, marcada por longas viagens e períodos longe de casa e da família.
“Estamos entrando na fase realmente difícil, no trecho mais desgastante do fim da temporada. São viagens longas, longe de casa e da família, mas a equipe continua operando em um nível extraordinário. Isso foi um grande mérito de todos na garagem e do grupo de pit stops, que vem executando paradas excelentes em todos os fins de semana”, concluiu.
Assim, a Mercedes chega a Austin com duas prioridades: manter a vantagem no Mundial de Construtores e continuar somando pontos com Antonelli e Russell. O possível título do italiano permanece no horizonte, mas a equipe prefere deixar as contas para depois e concentrar seus esforços na pista