Toto Wolff apoia o possível retorno dos motores V8 à Fórmula 1 no próximo ciclo do regulamento.
Segundo o chefe da Mercedes, a categoria deve voltar a priorizar o motor de combustão interna. A participação da bateria também seria reduzida.
“Como purista, gosto disso”, afirmou Wolff ao comentar a possibilidade.
Para o próximo ciclo técnico, previsto para 2030 ou 2031, Mohammed Ben Sulayem, presidente da FIA, pretende encerrar a atual era dos motores turbo-híbridos. Assim, a F1 voltaria a utilizar propulsores V8.
A atual geração de unidades de potência estreou em 2014. Desde então, a Mercedes conquistou 126 vitórias, oito títulos de construtores e sete campeonatos de pilotos.
A proposta para o futuro prevê uma participação muito maior do motor de combustão interna, conhecido como ICE. Ao mesmo tempo, a bateria continuaria presente, embora com uma função mais limitada.
Nesse sentido, a ideia lembra o sistema KERS utilizado na F1 em 2009 e posteriormente entre 2011 e 2013. Contudo, a tecnologia elétrica teria uma participação maior do que naquela época.
Wolff considera essa direção positiva para o campeonato. O austríaco acredita que os atuais motores turbo-híbridos são excessivamente complexos.
“Estou conversando com o presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, com o presidente e CEO da F1, Stefano Domenicali, e com os outros fabricantes de motores”, disse Wolff ao racingnews365.com.
Segundo o dirigente, os motores atuais também mudaram o comportamento das corridas. Por um lado, alguns fãs aprovam o aumento das ultrapassagens. Por outro, existem críticas ao formato atual.
“Esses motores são muito complexos neste momento. Estamos começando a entendê-los porque eles mudaram as corridas. Alguns gostam dos domingos porque existem muitas ultrapassagens. Outros não gostam”, explicou.
“No entanto, os pilotos mais adaptáveis vencem. Olhe para Lewis (Hamilton). Ele mudou, e sua performance também mudou bastante. Kimi (Antonelli) está indo muito bem. Outros também tiveram de se adaptar”.
De acordo com Wolff, a F1 deverá voltar a depender principalmente do motor de combustão. Entretanto, a mudança não aconteceria imediatamente.
“Pensando no médio e longo prazo, e falando de um horizonte de três a quatro anos, vamos voltar a um motor de combustão que será responsável por mais de 50% do desempenho”, afirmou.
Wolff estima uma divisão de aproximadamente 80:20 na produção de potência. Ou seja, cerca de 80% viria do ICE, enquanto os sistemas elétricos responderiam pelos outros 20%. A potência total chegaria a aproximadamente 1.000 cavalos.
“Ben Sulayem quer um V8 de oito cilindros. É um bom som e uma bateria mais limitada. Acho que seria algo em torno de 80:20 em termos de potência entre o ICE e a bateria, com 1.000 cavalos de potência”.
“Não tenho certeza se será naturalmente aspirado ou não. Porém, acho que este é o caminho que a F1 está tomando neste momento. E como purista, eu gosto disso”.
Antes de uma eventual volta dos V8, a F1 já prepara mudanças para os motores atuais.
As regras de 2026 estabeleceram uma divisão de 50:50 entre o motor de combustão e a potência elétrica. Entretanto, essa relação começará a mudar em 2027.
Primeiramente, a categoria pretende aumentar gradualmente a participação do ICE. Depois, em 2028, a divisão deverá chegar a 60:40 a favor do motor de combustão