Houve uma época em que terminar em segundo lugar era quase sinônimo de fracasso para a Mercedes.
De fato, a equipe de Brackley construiu uma sequência histórica, semelhante à de algumas das maiores forças esportivas de todos os tempos.
Na Mercedes, Lewis Hamilton, Nico Rosberg e Valtteri Bottas exerceram papéis fundamentais. Por trás deles estava Toto Wolff, responsável por conduzir a estrutura.
Entre 2014 e 2021, as flechas de prata conquistaram o campeonato de construtores oito vezes consecutivas.
Consequentemente, a Mercedes alcançou um nível de domínio raramente visto antes. E isso vale não apenas para a Fórmula 1, mas também para o esporte mundial.
Afinal, cada grande era esportiva costuma ter uma equipe capaz de definir seu período. Nesse contexto, a Mercedes tem argumentos fortes para ser considerada a grande força esportiva da década de 2010.
Mais do que vencer, a equipe mudou as expectativas sobre o que significava dominar a principal categoria do automobilismo.
Entretanto, tudo mudou em 2022. Naquele momento, a F1 adotou o novo regulamento do efeito solo. Como resultado, a Mercedes perdeu sua posição de referência.
Primeiro, a equipe caiu para o terceiro lugar no mundial de construtores. Depois, recuperou a segunda posição em 2023. Entretanto, terminou apenas em quarto em 2024. Por fim, voltou ao segundo lugar no ano passado.
Portanto, foram quatro temporadas sem um título de construtores. Mais do que isso, foram quatro anos sem que a Mercedes fosse o principal parâmetro de performance.
Naturalmente, surgiu uma pergunta incômoda: Toto Wolff havia perdido sua capacidade de vencer?
Essa dúvida acompanhou o austríaco durante a transição para a nova geração da F1. Agora, a situação parece diferente. Embora a temporada ainda esteja longe do fim, a Mercedes dá sinais claros de recuperação.
Kimi Antonelli abriu 50 pontos de vantagem sobre Hamilton no campeonato de pilotos na metade da temporada, enquanto a Mercedes chegou às férias de verão com 72 pontos de vantagem sobre a Ferrari no mundial de construtores.
Ainda assim, Wolff prefere não transformar esses resultados em uma resposta definitiva. Em entrevista ao racingnews365.com, o chefe da Mercedes apresentou uma visão diferente sobre os quatro anos anteriores.
“Estou sempre tentando atender às minhas próprias expectativas”, afirmou Wolff ao ser questionado sobre a ideia de que teria perdido sua capacidade de vencer. “Sou completamente imune às opiniões externas”.
Por outro lado, Wolff reconhece que algumas pessoas próximas têm influência sobre suas decisões.
“Obviamente, se minha esposa ou meus colegas me disserem que não fui bom o suficiente, isso é algo que levo a sério e tento melhorar”.
“Todos os anos, a expectativa era fazer o melhor trabalho possível e vencer. Fundamentalmente, é por isso que estamos aqui: para conquistar campeonatos”.
Portanto, Wolff não tenta apagar os problemas recentes da Mercedes. Em vez disso, ele prefere analisar o período dentro de um contexto mais amplo.
A sequência de oito títulos consecutivos de construtores acabou dando lugar a uma sequência de segundo, terceiro, quarto e novamente segundo lugar. Ou seja, a Mercedes deixou de dominar. Ainda assim, permaneceu entre as principais forças da F1